Reintroduzir presos a práticas salutares
Presos sempre procurarão cavar túneis e encontrar formas de fugir, porque o anseio de liberdade é uma impulsão natural do homem. Deixando-se de lado provisoriamente, neste comentário, a questão das misérias sociais favorecedoras dos atentados contra o patrimônio alheio e outros delitos, o sistema prisional dominante é que leva a rebeliões e a quebradeiras, como aconteceu segunda-feira no 4º Distrito Policial, em Londrina. Se a tropa de choque demorou a chegar, por ordem superior para evitar perigosos confrontos, isto não vale como argumento de que a destruição material ocorrida teria sido evitada, mas ao contrário, talvez pior teria sido. Age prudentemente o comando ao evitar eventual embate sangrento. Se medidas repressivas precisam ser tomadas no instante oportuno, como ocorreu, o problema maior não é detalhe como este mas o modelo penitenciário, já tanto discutido e que só vai encontrando pálidas soluções. Homens amontoados em cubículos são como feras enjauladas, e não se espera deles que tenham reações de candura. Se, pelas circunstâncias que os levaram ao cárcere, eles são melhores se isolados do que soltos, não se pode impor-lhes maus tratos adicionais, porque são seres humanos e têm direito à oportunidade de ressocialização. As iras populares, que não admitem contemplação, não contribuem para a atenuação do problema, porém mais o robustecem. Será preciso afastar das mentes os desejos de vingança, que se manifestam mesmo de parte de quem não tenha sido vítima da ação de delinquentes. Um povo de tradição cristã tem o dever de buscar meios mais civilizados de solução, operando em conjunto com os especialistas em questões dessa natureza e com as autoridades públicas. Não cabe repetir velhas ladainhas apregoadoras de medidas mais violentas se, a par das necessárias ações de repressão, não se intensificar os projetos de recuperação desses marginais. Negar que isto é possível é capitular, porque também esses fora-da-lei capitularam ante suas próprias fraquezas e as condições adversas de vida e que os enveredou para as ilicitudes. Experimentos que vêm sendo feitos aqui mesmo no Paraná, com sucesso, atestam que é possível reintroduzir o preso a práticas salutares na área profissional. Não, porém, trancafiado dentro de cubículos. Se isto não é tão fácil com alguns tipos sabidamente violentos, deve ser possível com a maioria deles. O custo social de um encarcerado é mais alto, na atual condição de superlotação até pelos resultados danosos que frequentemente ocorrem do que o investimento em ressocialização. Porque se não for por este caminho, será preciso ir construindo presídios e mais presídios, até que a situação se torne insustentável. Cedo ou tarde, não há como fugir do caminho mais difícil porém mais produtivo, que é primeiro repensar as razões de ordem socioeconômica dos contingentes marginalizados, para diminuir a intensidade das mazelas sociais. Mas se o mal acontece e o indivíduo vai preso, há que recuperá-lo enquanto ele cumpre pena e mais tarde devolvê-lo limpo e são ao meio social.





