Reinserção de Itamar Franco é alento
Em tempos de populismo e abundantes denúncias de corrupção, ao mesmo tempo em que políticos sérios são uma espécie quase extinta, chegam a ser alentadoras as notícias que falam sobre a volta à cena política do senhor Itamar Franco. O ex-presidente da República é tido como um político coerente e íntegro. Além disso, foi no seu governo que começou a ser arquitetado um plano de estabilidade econômica que se sustenta até hoje. Foi no governo Itamar que as bases para uma economia produtiva e menos especulativas foram implantadas. Até então o País havia tentado uma série de planos econômicos que resultaram em frustração. O único que poderia ter dado algum resultado foi fulminado pelo PMDB que, por razões eleitoreiras, não permitiu os ajustes necessários. Então ocorreu o que os economistas àquela época consideraram que ''deu água''.
A reinserção de Itamar Franco ocorreu neste fim de semana. O Diretório Nacional do PPS o elegeu vice-presidente da legenda; vai dirigir o partido ao lado de Roberto Freire, outro político de trajetória positiva e muito respeitado. A secretaria-geral será comandada pelo paranaense Rubens Bueno, reeleito.
Mas se a volta de Itamar é um alento para a perturbada política brasileira, a presença do político mineiro vai causar reviravolta na(s) candidatura(s) da oposição. O peso de Itamar vai exercer influência em várias correntes, o que não é bom para as pretensões do tucano José Serra, governador de São Paulo.
Por quê? Porque Itamar Franco, ao ingressar no PPS em julho, mostrou apoio a candidatura a presidente da República do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Segundo ele, o nome de Aécio é a ''única candidatura (de oposição) efetivamente colocada''. Já alfinetou, portanto.
Mas as críticas mais fortes foram dirigidas ao governo. Um texto assinado por Roberto Freire ressalta que o Brasil enfrenta baixos níveis de investimentos governamentais na economia e na infraestrutura, acúmulo de déficit fiscal há quase um ano e queda no desempenho do comércio exterior.
Sobre o governo diz ainda que ao invés de enfrentar estas questões e agir com austeridade para realizar reformas estruturantes capazes de dar rumo ao país, o governo Lula vem agindo única e exclusivamente para impor sua candidata à Presidência da República, ao arrepio da legislação eleitoral e em acintoso desafio às instituições nacionais.





