Reinserção de detentos
Dono da terceira maior população carcerária do mundo são mais de 500 mil presos espremidos em cadeias e penitenciárias de todo o País -, o Brasil caminha a passos lentos para resolver o problema crônico da superlotação. Em muitos presídios pouco se faz para a chamada reinserção dos detentos à sociedade. São poucas também as unidades prisionais que oferecem oportunidade de emprego aos encarcerados. É certo que os condenados paguem pelos crimes cometidos, mas é necessário também que a sociedade e a Justiça deem chance aos que buscam reabilitação.
E nada melhor que essa oportunidade beneficie segmentos carentes ou que necessitem de apoio. Reportagem da FOLHA, publicada no último sábado, abordou o trabalho de cinco detentos da unidade 1 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) em prol do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos. Eles dedicam seis horas digitando materiais didáticos adaptados para deficientes visuais. Desenvolvido há cerca de um mês, o projeto Visão de Liberdade é uma parceria entre a PEL e o Instituto dos Cegos. A cada três dias de trabalho os presos ganham um dia de remição da pena e recebem R$ 30 mensais.
De acordo com o diretor em exercício da PEL, Cristiano Ivano, somente 15 dos 595 detentos provisórios ou apenados da unidade devem participar dessa fase inicial do projeto devido à limitação de computadores e do conhecimento necessário para fazer a atividade. Mas aqueles que participam da atividade mostram-se satisfeitos não somente pela remição da pena, mas por poder contribuir para a sociedade. "O sentimento é de orgulho por saber que estamos produzindo um trabalho que vai ajudar pessoas com deficiência visual a aprenderem mais coisas", definiu um dos detentos ouvidos pela reportagem.
A iniciativa da PEL mostra que outras parcerias poderão ser firmadas nos demais presídios para dar ocupação aos detentos. Essa preocupação deveria ser prioridade dos responsáveis pelas unidades prisionais.





