Quarta-feira, 19h30. Um grupo pequeno aguarda na varanda de uma clínica no Jardim Quebec, Zona Oeste, a hora de receber o reiki. Deixam numa cesta o alimento que será doado a entidades assistenciais. Prática de transmissão de energia que surgiu em 1.800 no Japão pelo monge budista Mikao Usui, o reiki se resume na captação da energia do cosmo e seu repasse através das mãos. Na sala onde acontecem as sessões, um ambiente silencioso e na penumbra, um grupo se reúne ao redor de uma mesa para entrar em sintonia. Em seguida, as pessoas são chamadas para o atendimento que acontece em macas.
''Receber o reiki é muito bom, você sai flutuando, relaxado, e tem uma noite de sono tranquila'', atesta a professora Lola De La Rua Caldas. Ela comenta que é ansiosa e faz tratamentos alternativos, entre eles a acupuntura, para equilibrar o organismo. ''Eu estou aqui pela quarta vez e venho em busca de paz e de cura''.
A professora diz que não recebe reiki em função de uma doença determinada, mas entende que receber a luz pelo toque das mãos dos terapeutas pode levar à cura de algum desequilíbrio. Lola já fez o curso de iniciação ao reiki e se prepara para fazer o segundo nível do curso. ''Por enquanto não me sinto segura para aplicá-lo'', diz.
A psicopedagoga Patrícia Ammêndola afirma que o trabalho desenvolvido pelo grupo é voluntário e que ela, que é católica e já frequentou centro espírita, se sente realizada ao ajudar as pessoas através da terapia reikiana. ''Ao contrário do passe e do johrei, o reiki não tem nada a ver com religião. A gente atende a católicos, evangélicos, não importa a religião'', afirma.
Segundo Patrícia, qualquer sistema alternativo ou mesmo alopata funciona como uma muleta energética capaz de dar um tempo até que a energia do organismo volte a funcionar, se refaça, e promova a autocura. ''Não existe cura sem vontade. Só funciona se a pessoa quiser'', afirma.
Patrícia explica que todas as pessoas têm um ''órgão de choque'', que é afetado quando ocorre algum problema. ''É através dele, e geralmente é na região do abdome, chamado de plexo solar, que entra a energia negativa'', explica.
Pela imposição e o toque das mãos, o reikiano transmite a energia que existe no universo. O princípio da energia reikiana é a harmonização natural que gera a saúde e paz, proporcionando estado de relaxamento e elevação do nível de consciência. ''A energia está aí para quem quiser e não é posse de ninguém. Nós apenas a canalizamos através de um grupo e a transmitimos''.
Patrícia destaca a importância do toque no reiki. E exemplifica citando a atitude das mães quando uma criança se machuca. ''A mãe assopra e beija. É um passe. Ela está aplicando o reiki sem saber'', compara.(L.M.)

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