O fotógrafo free-lancer Genésio Teodoro da Silva ampliou a casa de 52 metros quadrados, deixando-a mais confortável. E aproveitou para construir uma área coberta no fundo do quintal, sob um pretexto nobre: receber, com frequência, os amigos para um churrasco ou uma dobradinha e uma roda de viola, à noite. À tarde, no final de um dia de trabalho, Genésio se estica em uma rede enquanto, mentalmente, repassa os detalhes da recepção aos amigos.
Mas nem sempre foi assim. Segundo ele, a casa do número 57 da Rua Ana Cândida Daros, no Conjunto Habitacional José Giordano, na zona norte de Londrina, foi causa da preocupação ao fotógrafo por cerca de seis meses, período em que foi um gaveteiro. ‘‘O contrato de compra e venda foi feito de modo a garantir os meus direitos, mas não deixava de ser um contrato de gaveta’’, comenta.
Silva havia tomado todos os cuidados para saber o que estava comprando. Por isso, em companhia da titular do financiamento foi à Cohapar saber da situação do imóvel. As prestações em atraso totalizavam R$ 1,5 mil, que ele acertou em três vezes, sem acréscimo. Pagou R$ 6,8 mil pelos direitos e tomou posse da casa, assumindo prestação de R$ 23,00. Mas, como o financiamento não estava em seu nome, ele temia que o imóvel fosse ‘‘tomado’’por familiares da antiga proprietária.
‘‘Então, acatando sugestão de amigos, decidi transferir o financiamento, o que me proporcionou segurança, sem grandes despesas’’, diz. Ele explica que pagou apenas R$ 36,00 pelo serviço e a prestação teve um pequeno acréscimo. A mensalidade atual é de R$ 27,04, para um contrato de pouco mais de 15 anos. A transferência foi assinada no dia 6 de julho de 2000. Ele acredita que, com R$ 3 mil é possível amortizar o financiamento. ‘‘Mas como a prestação não pesa, nem compensa antecipar a quitação do imóvel’’, comenta.
Genésio Silva diz que agora está tranquilo e tem tempo até para cuidar dos interesses da Associação dos Moradores do Conjunto Habitacional José Giordano, com 524 casas. A sede, desde que foi inaugurada, há cinco anos, necessita de benfeitorias como local de lazer e construção de creche. Mas não esconde que está contente com a aquisição: ‘‘É um lugar muito bom para se morar, com muito verde em volta e praticamente sem violência’’.
O casal Arlindo Vicente Cardoso e Vilma Caovilla também eliminou os sobressaltos causados pelo contrato de gaveta há pouco mais de um ano, quando conseguiu efetivar a transferência da casa. Vizinhos de muro de Genésio Teodoro da Silva, Vicente e Vilma pagaram R$ 4 mil pelos direitos do imóvel, poucos meses após a inauguração do conjunto, e não escondem que viveram anos de suspense. ‘‘O antigo dono era policial e estava morando em Cianorte. Como a profissão é de alto risco, nós tínhamos medo de que ele fosse morto a qualquer hora e que os herdeiros dele viessem tomar a casa de nós’’, lembra Vilma.
Para Arlindo, isso era motivo para noites mal dormidas, afinal a casa foi conseguida à custa de muito sacríficio, juntando economias com o resultado de um acerto feito na firma em que trabalhava. ‘‘Foi dessa maneira que consegui fugir do aluguel de R$ 160,00 que pagava por um imóvel de três cômodos no Jardim Interlagos, onde morei durante 10 anos’’, conta.
A transferência da titularidade do financiamento coincidiu com um período em que a Cohapar estava cobrando apenas R$ 10,00 pela regularização. ‘‘Aproveitamos a promoção’’, comenta, quanto também colocou em dia o pagamento do asfalto e do IPTU, que estavam atrasados.
Arlindo, que recebe R$ 412,00 por mês como porteiro e manobrista em um edifício no centro de Londrina, não pensa em antecipar a quitação do imóvel. Para ele, o melhor é conseguir economizar para calçar o quintal e mexer um pouco na casa para dar um pouco mais de conforto para a mulher e a filha.

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