Regular proporcionalidade diminuindo vereadores
Se a justificativa para criar mais 7.434 vagas de vereador é corrigir a proporcionalidade na relação com o número de habitantes de cada comunidade, isto pode ser feito não apenas pela fórmula de aumentar a quantidade de vereadores mas também diminuindo-os. Porém este é um critério que deputados e senadores não adotam, preferindo aumentar gastos e criar mais empreguismo. Ademais porque um vereador (ou qualquer outro parlamentar) não chega sozinho mas traz seus assessores e expande a estrutura da gastança.
Agora, o que se espera é que o impasse institucional entre Câmara e Senado resulte em bom senso. Pela razão apontada e também porque os senadores alteraram o texto da proposta de emenda constitucional e eliminaram o item que, mesmo criando-se aquelas vagas, estabelece que não haja aumento de gastos nas câmaras municipais. O Senado não só deixou de questionar outra opção de regular as distorções visadas (o que também a Câmara não fez) mas aprovou a emenda eliminando a contenção de mais despesas.
Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara Federal, abriu campanha contra o Senado rejeitando a forma como aprovou a emenda, e Garibaldi Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara Alta e mais atendendo à própria vaidade, por sentir perda de autoridade, faz um injustificado cavalo de batalha alegando que a Câmara está se outorgando um poder de veto. Chinaglia, que costuma portar-se com pouca reverência aos pares, gerando descontentamentos, manifesta agora bom senso com sua atitude. E isso até surpreende, porque não é comum no meio parlamentar e no âmbito dos governos alguma preocupação com a economia de gastos. Não se sabe como ocorrerá essa economia, porque vereador novo também vai receber salário e utiliza assessorias e toda a estrutura operacional, mas ao menos o critério de não adicionar custos consta da proposta original aprovada pelos deputados. O Senado quer discutir a questão da contenção em outra oportunidade mas Chinaglia não deve acreditar muito nisso.
Se aprovado o aumento das vagas, o Paraná teria mais 451 vereadores, somando-se aos 3.692 existentes. Acrescentando-se os assessores, o número triplicaria. As duas maiores cidades Curitiba e Londrina teriam 41 e 25 vereadores, respectivamente. Se, no geral, já há excessivo gasto nessas casas legislativas, de baixa operância e também de muitas histórias de corrupção, não é exagero imaginar que haverá mais custo do que benefício nessa malfadada idéia de o Brasil ter mais vereadores.





