Esta Copa do Mundo, que hoje se encerra, foi marcada pela excessiva marcação de faltas, no mais dos casos toleráveis e não merecedoras de punição. Assim, as partidas perderam um pouco de sua elasticidade e beleza. Futebol é espetáculo, para as platéias que estão no estádio e as que assistem pela TV, mas as regras rígidas demais têm prejudicado o brilho de jogos, na Copa e fora dela. Não foi só o festival de paralisações por faltas leves de meio-de-campo, mas também os impedimentos e os pênaltis. E estes têm sido causa de corrupção de árbitros e tantas brigas ao longo da história. Por conta dessas regras um tanto rígidas e favorecedoras de interpretações equivocadas ou intencionais, o juiz de futebol e seus auxiliares têm, em muitíssimos casos, decidido jogos e campeonatos – especialmente no Brasil – quando esta é uma atribuição exclusiva de quem joga. As duas equipes que vão decidir a Copa hoje só estão na final por conta de pênaltis. A Itália, no jogo com a Austrália, conseguiu classificar-se para a fase seguinte por graça de uma penalidade nos últimos minutos do segundo tempo da prorrogação. Com a França aconteceu o mesmo: a classificação por um pênalti. Vê-se como prevalece a interpretação do juiz, porque, pênalti por pênalti, na continuidade ele deixou de marcar outro, cometido pelo time francês e que favorecia a equipe portuguesa. Então, a cabeça de um árbitro pode decidir um jogo e até uma Copa. Existem defensores de que um dia seja eliminada essa cobrança de tiro livre e se invente outra forma de punir o jogador faltoso e o time. Porque assim o árbitro, hoje apoiado na regra rígida ou no olhômetro – às vezes vesgo ou às vezes corrompido – nunca seria o favorecedor de um gol. Quanto ao impedimento, a suspensão dele já chegou a ser discutida pela Fifa, e agora o presidente Joseph Blatter levanta de novo a questão, porque deseja mais gols nas Copas. Uma partida de futebol, para ser coreograficamente bela, precisa correr solta, como uma dança em que não pode haver interrupção. A marcação de faltas só deveria ocorrer em casos graves e todas as cobranças terem barreira. Seria então eliminada a risca da grande área, com todo o campo sendo um só. A própria decisão por pênaltis deveria ser mudada e dar lugar ao jogo regular, com novas prorrogações. O pênalti não faz jus à qualidade de um time. É como um roleta. Viu-se nesta Copa a inconveniência da grande quantidade de marcação de faltas, a maior parte delas sem violência e nem intenção maldosa, mas apenas disputas de bola, porque futebol é por natureza um jogo duro. Bom que o presidente da entidade máxima desse belo esporte já esteja pensando – como se leu ontem nos jornais – em maneiras de enriquecer a beleza do espetáculo. Fica aí implícita a maior possibilidade de evitar injustiças e implantar mais paz no futebol, porque também as torcidas se apaziguarão. Como todos os esportes, o futebol é uma arte em evolução e deve ser brilhante como show e não um evento para permissividades, como o poder dos árbitros de, indiretamente, produzirem gol por via de um tiro próximo e direto, ou evitá-lo pelo impedimento hoje estabelecido na regra.

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