Regiões metropolitanas são unidades de gestão administrativa em aglomerações urbanas caracterizadas pela intensidade das relações que mantém entre si Não raro, a solução dos problemas que apresentam depende de mais de um ente federativo (município ou Estado)
Em 1973, por obra do pensamento centralizador do governo militar, foram criadas nove regiões metropolitanas no Brasil na tentativa de imprimir racionalidade na irracionalidade da urbanização brasileira Objetivavam sanar os problemas que a acelerada urbanização trazia, ofertando infraestrutura urbana, transportes, habitação e o planejamento da expansão urbana (havida como fragmentada e sem controle)
A Carta Constitucional de 1988, influenciada por ideias descentralizadoras para a gestão pública, transferiu da União para os Estados, as prerrogativas para criar regiões metropolitanas Surgiria assim, em 1998, a Região Metropolitana de Londrina Esperava-se dessa iniciativa maior presença da ação pública em nossas aglomerações urbanas já que os antigos problemas da década de 1970, agora estavam acrescidos, entre outros, da (in)segurança urbana, do (des)emprego e da destruição do patrimônio ambiental
Entre estudiosos das questões urbanas é consenso que as regiões metropolitanas não responderam satisfatoriamente à finalidade que foram criadas Entre nós, brasileiros, se diz que a questão é político-administrativa Nosso pacto federativo, fundado em apenas três instâncias de poder (União, Estados e Municípios), não premia uma quarta instância: a metropolitana Por isso mesmo não há ''prefeito'' nem orçamento metropolitano
Frente à descrença generalizada e diante dos problemas de natureza metropolitanos, prepondera, entre nós, a criação de consórcios de municípios na expectativa de que isso ''envolva'' mais os poderes locais e solucione os reclamos da população Nada mais distante da real configuração do mundo urbano do século XXI
Em boa hora, somos surpreendidos pelo futuro governador do Paraná Ele pretende mudar esse panorama Imagina criar ''regiões de gestão administrativa'' em todo o Estado tendo como base as Associações de Municípios A proposta deve ser elogiada, pois propõe uma visão ampla do desenvolvimento urbano Em si, ela (a proposta) não é nova Em tempos da governança de José Richa, nos anos 80, tentou-se algo muito semelhante Tecnicamente, exigia mudar as regiões administrativas das empresas e secretarias de Estado O projeto naufragou pelas resistências internas ao aparelho do Estado Naufragou também por questões extracorpórea ao Estado, porque delineava uma nova forma de exercer a política, em que pese trazer em seu bojo todo o benefício da descentralização da gestão pública
Se a experiência histórica fala alto ao aprendizado dos homens, é mister reconhecer que a proposta de Beto Richa terá mesmo destino da proposta de seu pai se não contiver o cerne da administração regionalizada; ou seja, um orçamento por regiões administrativas do Paraná, um corpo técnico para elaborar propostas de intervenção regionalizadas, um conselho administrativo participativo e, o mais importante, o firme propósito do líder em renunciar parte do poder nele concentrado por força dos hábitos políticos e do pacto federativo brasileiro
Se a proposta do futuro governador vingar, efetivamente a administração pública ganha Politicamente ganha o governador eleito, pois é certo que sua proposta promoverá os administradores regionais e pavimentará a sua reeleição Aproximando-se do desprendimento político, Beto Richa terá superado a grandeza do pai
NESTOR RAZENTE é arquiteto, filósofo e professor em Londrina

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