Regime petista contra o trabalhador
Se em tempos passados o sindicalista Lula defendesse salário mínimo baixo, com toda a certeza não teria ganhado projeção nacional e mundial e não teria chegado à Presidência da República. Hoje, guindado ao poder, mudou a postura e - quem diria! - defende que o mínimo seja não R$ 375 mas R$ 367, a ninharia de R$ 8 de diferença. Nem um valor e nem outro consagram o que se denomina salário, que é a paga para o trabalho mais pesado. A Comissão de Orçamento do Congresso aprovou o valor maior e isto o Governo dito dos trabalhadores contabiliza como derrota. Outra posição política, outros valores.
Por natural observação das coisas conclui-se que hoje, para Lula, os trabalhadores são personagens incômodos. Porque, se o próprio Governo gerou baixo desenvolvimento econômico, migalhas passam a ser importantes. Assiste-se agora ao deprimente espetáculo de o relator geral do Orçamento indo apelar ao ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, para que o Governo não vete o nível mais alto. Por Governo, leia-se o ex-metalúrgico Luiz Inácio da Silva, que depois incorporaria o apelido Lula oficialmente ao seu nome e que, a cada discurso, detonava a classe empresarial e exaltava o operariado.
Nada errado em enaltecer os trabalhadores, mas quando Lula converteu-se em patrão-mór da República ignorou muitas das suas pregações do passado. Ou mudou o homem ou mudou a legitimidade dos conceitos que então apregoava. Não será preciso muito exercício para constatar que foi o homem que mudou ao subir ao pódio. Baixo salário no Brasil - e isto aconteceu também em países hoje adiantados - tem sido uma espécie de cota de sacrifício do trabalhador para que a empresa não fosse exageradamente tangida (face a outros encargos, como os recolhimentos sobre o salário e a espada sobre a cabeça representada pela leonina legislação trabalhista). Ademais por tratar-se de uma nação que veio emergindo até chegar à revolução industrial dos dias atuais.
Mas a cota já foi suficientemente paga e agora é hora de se iniciar um processo de emancipação também desses obreiros, que são os que edificam as estruturas físicas deste país. Paradoxalmente, os que mais trabalham - uma grande parte deles ainda vegetando na faixa do salário mínimo - são os que menos ganham. Paradoxal também é a equipe econômica do Governo mostrar-se preocupada com esses R$ 8 - que significarão um acréscimo na conta da Previdência - e argumentar que precisa promover o desenvolvimento econômico e que o aumento do mínimo atrapalha. Não se entende como ativar o crescimento da economia com salário baixo, e onde o fato de pagar salário melhor prejudique essa meta. Se o investimento na Previdência - que o Governo denomina despesa - aumentará com a elevação do salário mínimo (que é o referencial) existe a fórmula prudente e sábia de cortar os gastos exagerados que pontificam na administração pública. Isto a equipe econômica não vê, porque faz vistas grossas e passa ao largo, preferindo bater forte no mais fraco, que é o sacrificado cidadão dessa humilhante faixa salarial.





