Região pode ter sua usina termoelétrica - Heinrich Hellbrugge
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sexta-feira, 24 de julho de 1998
Heinrich Hellbrugge 
Tomando por base a lei estadual que criou a Região Metropolitana de Londrina (RML), acabo de encaminhar proposta ao governador Jaime Lerner para a instalação de uma usina termoelétrica em nossa região para aproveitamento do lixo urbano na produção de energia.
Num momento em que o mundo inteiro está procurando formas de combustível e que os recursos hídricos para sua geração já estão no limite, temos que ter essa preocupação.
Temos aqui tudo o que precisamos: os cerca de 1 milhão de habitantes produzem aproximadamente 300.000 toneladas de lixo por ano, cujo valor calórico é de 2.500 a 3.000 kcal/kg, considerado um valor bom para ser utilizado como combustível da usina. E o resultado disso seria a produção, através da usina, de 50.000 KW de energia.
Para a realização deste projeto é preciso uma série de providências, a começar pela autorização da RML para, em nome dela, elaborar o estudo inicial, sem ônus e no prazo de 60 dias. Após a autorização, seria feito levantamento da empresa especializada, para a construção da parte física da usina, em dois anos.
Todo o lixo é queimável, sem necessidade de separação por tipo de material, que hoje é dispendiosa e desnecessária. A usina se encarregaria da coleta de todo o lixo da RM; o lixo hospitalar seria entregue no local. E não haveria poluição, porque temos um sistema capaz de evitá-la.
A constituição jurídica da usina poderia ser sob a forma de sociedade limitada ou sociedade anônima, com participação dos municípios de forma proporcional ao número de habitantes de cada um, ou segundo outro critério. Sem dúvida seria interessante também a participação da Copel, uma vez que esta companhia de energia seria beneficiada com a energia gerada na usina.
Os municípios trocariam as despesas com lixo por um investimento. Os envolvidos passariam a receber dividentes resultantes da venda de energia. Pode-se supor que, até o término da obra da usina termoelétrica, a lei que regulamentará a co-geração de energia seja aprovada, uma necessidade essencial para que este projeto seja lucrativo. É preciso ressaltar que mesmo não gerando lucros, este projeto continua tendo suma importância em função da preservação ambiental.
A proposta também foi enviada às prefeituras de Arapongas, Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Londrina, Rolândia e Tamarana, ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná), à Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos) à Sema (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos).
O Paraná pode sair na frente, se agir rapidamente. Temos que pensar no futuro.
- HEINRICH HELLBRsGGE é engenheiro e doutor em metalurgia em Rolândia


