REGIÃO METROPOLITANA - Transporte coletivo integrado depende de Londrina
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Instalada oficialmente desde abril do ano passado, a Região Metropolitana de Londrina (RML) deve começar a sair do papel nos próximos meses. A promessa é da coordenadora da RML, Elza Correia. Em meio a projetos de longo prazo como o Arco Norte e o Trem Pé-Vermelho, a integração dos transportes públicos urbano e metropolitano deve ser assinada por todos os prefeitos da região até o fim deste mês, ficando sob a gestão da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU).
Nesta entrevista à FOLHA, Elza fala ainda que não tem pretensão de concorrer para nenhum cargo na próxima eleição. ''Meu compromisso agora é com a coordenadoria da Região, que é um desafio muito grande''.
Há um ano, em entrevista à FOLHA, a senhora disse que a Região Metropolitana de Londrina (RML) teria todos os recursos necessários. Quanto já foi investido pelo governo diretamente na RML e não pelas secretarias de Estado?
A Região Metropolitana não foi criada para ter aqui dentro uma administração financeira. Não existe isso de quanto o governo mandou. Meu papel na coordenadoria é de interlocutora do governo, fazendo a articulação dos gestores públicos da região. E isso tem que ficar claro para a opinião pública, porque a primeira pergunta que me fazem é sempre essa: ''Quanto tem de dinheiro''? Não há necessidade, porque eu não vou administrar recursos aqui.
Desde maio foram iniciadas as conversas para integrar o transporte coletivo da região metropolitana. O que existe de concreto até agora?
Estamos elaborando um termo de convênio que o Estado propôs para integração do transporte metropolitano em Londrina, Ibiporã, Cambé e Rolândia. Londrina é um centro de comércio, saúde e educação, então o fluxo de moradores de outras cidades que vêm atrás desses serviços é muito grande. A pessoa vem pra cá, chega no terminal e tem que pagar outra passagem.
E qual o entrave para esta proposta ainda não ter entrado em vigor?
Não há entrave. Na verdade, os prefeitos já assinaram os termos de anuência. O prefeito de Londrina ainda não assinou, mas estamos sistematicamente em contato com a CMTU, que inclusive será a gestora do transporte porque já tem experiência na área. Essa súmula foi apresentada ao prefeito Nedson (Micheleti) e aguardamos alguns ajustes que devem ser feitos até o fim do mês, prazo limite.
As empresas de transporte de Londrina já foram consultadas? São favoráveis ao projeto?
Nós não discutimos com as empresas ainda, apenas com os gestores públicos. São empresas que prestam bons serviços há décadas em Londrina, e não acredito que elas sejam contrárias. Agora, é preciso deixar bem claro que esta integração vai se consolidar sem penalizar o usuário. Tem que ser um serviço que garanta cidadania, o direito de ir e vir. Nós esperamos, sinceramente, que os empresários participem dessa discussão.
E o projeto do Arco Norte, o que foi feito até agora?
A região norte do Paraná tem um potencial extraordinário, e o projeto Arco Norte só vai impulsionar esse desenvolvimento sustentável. Mas para isso, precisa de grandes investimentos em infra-estrutura, não é pouco dinheiro. Até por isso precisa de tempo. Eu percebo que há um imediatismo, que até é natural do ser humano. Nós queremos as coisas mais rápidas, mas para tudo existe um processo, um tempo. As coisas não podem ser atropeladas. Temos exemplos clássicos de obras públicas que, por falta de planejamento estratégico, deram errado.
Existia a promessa de um trem pé-vermelho. O projeto ainda existe?
O governo tem interesse em retomar isso e a Ferroeste está trabalhando em cima. Mas também é outra questão que demanda recursos. Estamos discutindo o projeto com o governo federal e está caminhando. Os responsáveis pela discussão deste projeto não estão parados não.
Falando um pouco da sua vida política, existe a intenção de concorrer à prefeitura este ano?
Não tenho nenhum interesse em participar deste próximo processo eleitoral, nem como candidata à vereadora nem como candidata à prefeita.
Luiz Figueira, seu ex-assessor na Região Metropolitana de Londrina, foi demitido após dar uma entrevista para a FOLHA DE LONDRINA dizendo que, historicamente, o governo do Paraná concentra os investimentos na Capital. O que a senhora achou de todo este episódio da demissão dele?
Já passou, foi amplamente divulgado. Ele teve oportunidade de se posicionar, o governo também. Então acho que é um episódio encerrado. Só acho que o Luiz teve um papel importante na Coordenadoria, no governo do Estado, na prefeitura de Londrina, mas me reservo ao direito de fazer apenas este comentário.


