A pior crise humanitária que atinge a Europa desde a Segunda Guerra Mundial reflete também no Brasil. A situação é consequência da movimentação de pessoas que tentam fugir dos conflitos armados, guerras civis, perseguição e miséria no Oriente Médio e na África. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), as migrações em busca de refúgio atingiram números recordes em 2014. A organização calcula 19,5 milhões de pessoas em todo o mundo.

O drama dos refugiados é o tema da reportagem principal da FOLHA neste domingo. O problema na Síria ganhou dimensão há poucos dias. A foto do corpo de um menino de três anos, encontrado em uma praia da Turquia, onde tentava chegar com a família, chamou atenção do mundo.

No Brasil, conforme o último levantamento do Comitê Nacional de Refugiados (Conare), os sírios já constituem o maior número de refugiados que conseguiram visto de permanência no País. Dos 8,8 mil refugiados oficialmente reconhecidos pelas autoridades brasileiras, 2.077 são sírios. O órgão acumula ainda 12,6 mil solicitações para julgamento e um total de 30.571 solicitantes de refúgio. O principal destino deles é São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.

A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Seju) do Paraná não tem dados atualizados sobre o número de pessoas na mesma situação no Estado. Mas há uma estimativa não oficial de que pelo menos 500 refugiados vindos da Síria vivem no Paraná. Muitas vezes eles chegam por redes de familiares ou de amizade. Grupos religiosos também se uniram para ajudar e em Curitiba existe até mesmo uma Casa de Refugiados, mantida por igrejas evangélicas e voluntários.

Mesmo aliviados por estarem seguros da guerra, a vida dos refugiados no Brasil não é nada fácil. Primeiro, porque para chegar aqui eles precisaram abandonar propriedades, amigos, familiares, cultura, idioma e tradições. Em segundo lugar, é difícil recomeçar a vida em um país que passa por uma grave crise econômica e tem baixa oferta de empregos. Além disso, a burocracia que reina nas instituições públicas dificulta a situação de qualquer imigrante. É o que mostra o relato de um engenheiro sírio que não consegue validar seu diploma por aqui por conta das exigências de muitos documentos desnecessários, muito difíceis de conseguir devido à guerra na Síria. Assim como o povo brasileiro está se mobilizando para ajudar os refugiados com moradia e alimentação, os governos federais e estaduais poderiam rever normas desnecessárias que acabam impedindo os refugiados de se candidatarem a um emprego para o qual têm formação técnica comprovada.

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