Aline Chalegre de Souza, Carlos Roberto Flavio e Simone Novais

Em setembro deste ano foi destaque na imprensa mundial, e comoveu o mundo, a chocante imagem do menino sírio, Aylan Kurdi, que morreu afogado em uma praia na Turquia. Junto com sua família, ele tentava fugir e encontrar abrigo em um país da Europa.
Essa tragédia é marcada não só pelas imagens, mas pela gravidade do problema que a causou, o qual já se arrasta há pelo menos quatro anos, desde o início da onda revolucionária, também chamada de Primavera Árabe.
A Síria vive uma guerra civil sem precedentes e tem consequências graves para a população interna. Com os conflitos armados, aumenta cada vez mais a questão da migração, seja por fuga pela guerra, perseguição ou discriminação religiosa, somados aos confrontos com países vizinhos, como a Arábia Saudita e o Irã.
Qual a raiz de tudo isso? Por que milhares de pessoas estão fugindo e procurando abrigo fora do seu país de origem? A guerra civil já desabrigou e fez com que metade da população, quase 11 milhões de pessoas, saísse da sua "zona de conforto" e se deslocasse para outras regiões dentro do país, ou procurasse refúgio em países vizinhos e Europa.
Mas o que fazer diante dessa situação? Alguns países como Jordânia e Turquia têm aberto suas fronteiras e recebido os refugiados. Os países do Golfo preferem a doação em dinheiro e não oferecem a possibilidade de abrigar sequer um refugiado. Esses países estão mais preocupados com a questão da segurança e estabilidade dos seus habitantes, deixando de lado a questão humanitária.
O que a ONU, os países da Europa e o resto do mundo podem fazer a respeito? Alguns falam em militarização a curto prazo, como o filósofo esloveno Slavoj Zizek, alegando que é intolerável dezenas de milhares de pessoas andando pela Europa. A distribuição de quotas, conforme propõe a Alemanha, seria uma solução?
A Europa e o mundo estão somente falando em tratar do sintoma e se esquecem que o foco precisa urgentemente ser a causa do problema, visto que existem outros países em situação caótica na África e Oriente Médio. Qual a perspectiva então para melhorar essa crise a curto e médio prazo?
Absorver tamanha quantidade de pessoas custará caro, mas, numa Europa envelhecida em razão do seu baixo índice de natalidade, seria oportuno resgatar a dignidade dessas pessoas, oferecendo propostas para moradia, trabalho, educação, abrindo novos mercados e um novo horizonte.
O Brasil abriu suas fronteiras e, mesmo sem uma estrutura favorável, está recebendo imigrantes em sinal de solidariedade e empatia, já que somos um país miscigenado, formado pelas mais diversas raças possíveis; e, ainda que não fosse, seres humanos não devem jamais ser tratados como coisas sem valor, empurrados para um canto qualquer até decidir o que fazer com "aquilo".
É imprescindível a interferência dos países vizinhos no caos instalado na Síria. E muito mais que dar asilo provisório ou permanente, que lhes devolvam a sua terra em paz, já que a união dos países incomodados com os imigrantes tem sim força política e bélica para resolver a causa do problema, a qual, até o momento, tem sido tratada como briga de marido e mulher, onde ninguém quer meter a colher.

ALINE CHALEGRE DE SOUZA,CARLOS ROBERTO FLAVIO e SIMONE NOVAIS
são alunos do curso de Letras Espanhol na Universidade Estadual de Londrina


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