Se, após os atentados, o momento exige vigilância rigorosa para evitar a retomada do terrorismo das facções criminosas, será preciso que a inteligência nacional se debruce no reestudo do sistema prisional, porque é impossível evitar rebeliões de presos nas condições em que eles vivem. Se há um problema a solucionar, ele tem de ser enfrentado, e não apenas pelos governos mas por estudiosos da questão carcerária e outros luminares. As raízes a cavar são profundas, começando pelo mal das misérias sociais, indutoras da criminalidade; pela ausência de políticas econômicas que gerem empregos; e no topo disto as péssimas condições dos presídios. Os motins de presos e as conseqüências sangrentas serão inevitáveis se não se iniciar um processo de mudanças. Se a sociedade não deseja tratar delinqüentes como seres humanos, ferozes que sejam, acaba pagando caro por isso e tenderá a assistir à repetição de tragédias como a destes dias. Neste clima de terror para os agentes da Polícia e suas famílias – eles tão mal remunerados e sempre alvos de operações de extermínio, se já não bastasse o dia-a-dia de perigos que enfrentam – será preciso empreender uma operação permanente de contenção dessa onda de atentados (no momento sob controle, mas não se sabe até quando) e, paralelamente, iniciar providências para reformulação dos sistemas de tratamento da delinqüência encarcerda. Quando o mal se instala, depois que todas as medidas preventivas foram negligenciadas, o caminho aponta para mais vigilância, especialmente nas visitas de familiares de presos e defensores, para que não introduzam armas e telefones celulares nos presídios. Este instrumento de comunicação é que permite o imediato contato dos comandos com as falanges externas. E são estas que agem nas ruas, como agora ocorreu. O episódio evidenciou que o terrorismo pode instalar-se a qualquer momento, e policiais irem caindo mortos. A prazo mais demorado será preciso implantar colônias de recuperação dos delinqüentes e não amontoá-los em cubículos, porque se eles são pessoas perigosíssimas, são também vítimas de toda uma estrutura irresponsável de governos e também da sociedade. Se existem casos irrecuperáveis, eles não são a maioria. Pensar em medidas extremas não é digno de uma civilização que se proclama sã e cristã. E apenas prisões de ‘‘segurança máxima’’ – na verdade utopias – não bastam, porque a comunicação fácil entre os comandos dos PCCs, dentro dos presídios, e os que estão fora, ultrapassa todas as muralhas. Providências deverão ser tomadas simultaneamente, em todos os campos: o da contenção do terrorismo – que acaba de mostrar seus perigosos tentáculos – e o da modificação do sistema carcerário, para que perca o caráter de punidor e se converta em recuperador.

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