Reformas adiadas
Consciente de como funciona o Congresso Nacional em um ano eleitoral, o presidente interino Michel Temer (PMDB) reconheceu que será difícil aprovar em 2016 as reformas trabalhistas e da Previdência. A delicada questão das reformas foi um dos principais temas de uma entrevista concedida pelo peemedebista a agências internacionais, na última sexta-feira.
As mudanças são defendidas pelo governo desde a posse de Temer com o argumento de que ajudarão o Brasil a sair da crise. Junto com a reforma política, elas são uma reivindicação antiga da sociedade. O Planalto apostava em conseguir apresentar e aprovar as reformas ainda neste ano. Mas Temer reconheceu a dificuldade de passarem no Congresso medidas que ajustam os direitos sociais dos trabalhadores.
A pauta é complexa e até o final de outubro os congressistas deverão estar com a atenção voltada para as eleições municipais. Tanto que o presidente interino trabalha em conseguir aprovar até o final do ano somente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o teto dos gastos públicos. Ele até pretende encaminhar antes das eleições as medidas que ajustam os direitos sociais dos trabalhadores. Mas as discussões, que deverão tratar sobre negociação coletiva, jornada de trabalho e terceirização, certamente ficarão para depois.
Quanto à reforma previdenciária, o governo considera a ideia de conduzi-la de forma gradual. Entre os pontos prioritários estão a idade para aposentadoria e a diferença entre as profissões. O presidente interino garantiu que não teme propor medidas impopulares porque o seu objetivo não é eleitoral. Mas a aprovação dessas medidas depende do Congresso e os parlamentares costumam pensar um pouco diferente na hora de aprovar leis que desagradam o eleitor. Principalmente em ano eleitoral.





