A minirreforma política aprovada semana passada pela Câmara dos Deputados não atende aos anseios da população. Aprovada rapidamente, depois de ter as discussões interrompidas no final de maio, o novo texto reforça a prática da "velha política" e mais uma vez ressalta a imagem de um Legislativo distante de seus eleitores e dos interesses de quem o elegeu.
Há anos se discute a necessidade uma reforma no atual sistema político. No entanto, o assunto ganhou força a partir dos protestos de junho de 2013, quando a população saiu às ruas. Na esteira do julgamento do Mensalão e com o início das investigações da Operação Lava Jato, os brasileiros reivindicavam uma mudança no sistema eleitoral que dificultasse a corrupção. Naquele momento, os políticos entenderam o recado, mas depois das eleições e com o esfriamento dos protestos, parece tudo ter voltado à normalidade.
Tanto que a minirreforma aprovada parece ter criado um cenário pior. O texto manteve o financiamento empresarial de campanhas – um dos principais pontos do debate -, criou janela para a migração partidária e reduziu o prazo de filiação de um ano para seis meses antes das eleições. Todos esses itens mostram novamente que os deputados estão de olho em seus próprios interesses. Além disso, é preciso lembrar que toda alteração de lei deve estar atrelada à reestruturação dos mecanismos de controle.
A Justiça tem que estar melhor aparelhada e com servidores capacitados. Outra questão importante é o excesso de recursos, o que facilita a impunidade. O sistema judiciário tem que ser capaz de investigar, julgar e punir infratores em tempo hábil. No entanto, a principal mudança tem que ocorrer no comportamento dos brasileiros. A população tem que ser menos tolerante com a corrupção e passar a ser mais atuante junto aos seus representantes.

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