Curitiba – A reforma do sistema de Previdência Social brasileiro promete ser o maior desafio do primeiro ano de mandato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo dados do Ministério da Previdência e Assistência Social, o déficit entre a arrecadação e o pagamento de benefícios aos trabalhadores privados ativos e inativos deste ano deve ser de R$ 17 bilhões, aumentando para cerca de R$ 19,3 bilhões em 2003.
  A situação é ainda mais preocupante quando o assunto é o pagamento de benefícios aos servidores públicos. De acordo com dados levantados pela equipe de transição do governo Lula, o déficit no orçamento do sistema de previdência público chega a R$ 51 bilhões.
  Para evitar um possível colapso do sistema, o que inviabilizaria o pagamento de aposentadorias aos trabalhadores que contribuiram ao longo de sua carreira, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) encaminhou uma proposta de reforma previdenciária ao Congresso em 1999. A proposta acabou não sendo votada por completo, e a equipe de transição do governo Lula já sinalizou que pretende alterar pontos do projeto antes de submetê-lo à nova votação na Câmara dos Deputados e no Senado.
  Para o deputado federal do Paraná, Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), dificilmente a reforma será aprovada ainda no primeiro ano de mandato de Lula. ‘‘É um tema complexo, que precisa ser muito debatido antes de ser aprovado. A maneira como será feita a reforma não se resume a uma questão financeira, mas também significa o modo como o governo irá distribuir a renda no País’’, comentou o deputado, que é o único representante paranaense na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
  Além de ter de garantir uma maioria no Congresso para aprovar a reforma da Previdência, o governo de Lula terá também que tentar acomodar os interesses dos vários setores interessados no assunto. Centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) já estão se mobilizando para pressionar os parlamentares na composição do projeto de reforma previdenciária. ‘‘As CUTs de todos os estados estão se mobilizando, e a idéia é apresentar uma proposta fechada para o governo em maio de 2003’’, explica o presidente da entidade no Paraná, Roberto Van der Osten.

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