Algumas perguntas que merecem resposta imediata: 1) A reforma agrária vai acontecer no segundo mandato do presidente Lula? 2) O Incra vai adquirir terras para fazer assentamentos, reduzindo o sofrimento de pessoas que sonham com um pedaço de chão para produzir? 3) O governador do Paraná vai participar de alguma ação nesse sentido, ou seja, no sentido de agilizar o processo? O Governo federal tem que definir o que pretende com a questão fundiária. E se Roberto Requião quiser o Paraná pode sair na frente, fazendo uma reforma objetiva, de resultados, com assentamentos dotados de infra-estrutura e condições de produção.
Não há muitas alternativas diante do problema. Ou o Governo faz a reforma agrária ou permite o caos no campo. A tensão tende a aumentar e não há mais espaço para discussão filosófica. A sociedade já está amplamente consciente que há um caldo de cultura para conflitos, fomentados pelos exploradores da miséria e da ignorância. Há duas vias: a política e a ideológica. A decisão política (executar a reforma e resolver problemas sociais) é a que expressa o desejo da sociedade. É a saída, pela concessão de terras dotadas da infra-estrutura necessária para conferir ao assentado condições dignas de trabalhar e prosperar com a família.
A decisão ideológica (permitir ou estimular invasões, atiçando os movimentos contra quem está produzindo) tem sido a via e ela esteve sempre em marcha, tendendo a robustecer-se. O Governo federal parece estar fazendo a opção pela teoria do caos. Por enquanto, cresce essa tendência, frustrante para o sonho de uma sociedade justa e igualitária. A realidade hoje mostra uma grande disponibilidade de terras para ser negociada, contrastando com assentamentos e acampamentos abrigando trabalhadores em condições precárias e desumanas. Apesar da oferta de propriedades, algumas já dotadas de algum tipo de infra-estrutura - cercas e sede, por exemplo - a chance de elas serem transferidas para quem as quer é mínima, pela ausência de projetos nesse sentido.
Há, portanto, terras em abundância e trabalhadores esperançosos. Falta é ação do Governo. Esta omissão, deliberada ou não, está fortalecendo um ambiente propício para conflitos. O momento é oportuno para o governador do Paraná intervir no processo, ele que dissipou todas as dúvidas quanto ao seu alinhamento político com o presidente da República, no limiar do novo mandato de ambos. Roberto Requião tem, na questão fundiária, um espaço enorme para intermediar um projeto de reforma agrária que pode ser modelo para outros Estados. Se ele sonha com o Planalto, eis uma valiosa credencial que ele ainda não tem. Esta é uma estrada pavimentada para chegar lá.

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