Onze são as metas de trabalho anunciadas pelo novo Plano Nacional de Reforma Agrária, lançado pelo governo federal no dia 21 de novembro. Entre elas, está o assentamento de 400 mil famílias até 2006, a regularização da posse de terra de outras 500 mil famílias que já estão no campo e a criação de 2,75 milhões de novos postos permanentes de trabalho no setor agrário.

Segundo o governo, mais 150 mil famílias serão beneficiadas com crédito fundiário e 2,2 milhões de imóveis rurais deverão ser regularizados e cadastrados nos próximos quatro anos.

De 2004 a 2007, a meta é assentar mais 150 mil famílias, somando 520 mil novos assentamentos, com um total de 1 milhão e 320 mil famílias beneficiadas. Os trabalhadores ainda irão receber assistência técnica, capacitação e orientação sobre a melhor forma de comercializar os produtos cultivados nas propriedades.

A coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acredita que o novo plano apresentado pelo governo fará a reforma agrária deslanchar e irá gerar novos empregos no País. Mesmo assim, o movimento determinou o prazo de um ano para que o Estado cumpra a promessa de assentar as famílias que estão acampadas pelo País. ''Ainda não debatemos as novas propostas com os coordenadores estaduais, por isso não posso opinar sobre o assunto'', declara o coordenador regional do MST, Luiz Alonso Sales, responsável pelos acampamentos localizados no Norte Pioneiro do Paraná.

Segundo o presidente do Sindicato Rural Patronal de Sertanópolis, Antonio Osvaldo Terassi, muitos agricultores ainda desconhecem a Reforma Agrária. ''De acordo com as regras propostas pelo governo, todo produtor rural, seja ele, pequeno, médio ou grande, está sujeito a ter sua terra confiscada, caso ela não cumpra seu fim social'', diz Terassi, lembrando que mais uma vez o plano pode falhar, pois ''o próprio ministro afirmou que o Estado não possui a verba necessária para a aquisição das terras''.

Para Terassi, médio produtor em Sertanópolis, no Norte do Paraná, a redistribuição de terras é legítima e necessária: ''Mas as pessoas que assumem a terra devem fazê-la produzir'', afirma.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sertanópolis, Milton Sofiati, concorda e acrescenta que deveria existir uma união entre os sindicatos, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o governo estadual para resolver a questão. ''O governo compraria a terra e o sindicato seria o responsável por direcionar as famílias que iriam cultivá-la. Acredito que as famílias deveriam ir pagando, aos poucos, pela terra e não recebê-la gratuitamente'', defende Sofiati, pequeno produtor, dono de 10 alqueires em Sertanópolis, onde produz soja e milho.

Já Terassi acredita que é necessário um recadastramento entre os trabalhadores para descobrir aqueles que realmente possuem vocação para agricultura. ''Muitos integrantes do MST estão no movimento com aspirações políticas, comprometendo toda a luta pela terra'', analisa.

A principal dificuldade encontrada pelos produtores hoje em dia é acompanhar as leis ambientais. Segundo Sofiati, cada agricultor deve ceder 20% de sua propriedade para reflorestamento, além de manter as reservas permanentes, aquelas próximas aos mananciais. ''O pequeno produtor acaba em prejuízo e tem de vender o que sobra da sua terra, voltando com a família para a cidade e gerando mais desemprego'', declara.

Moacir Zamarian possui três alqueires nas redondezas de Londrina e trabalha sozinho, sem maquinários modernos, no cultivo de café, há 60 anos. Para ele, a reforma agrária é ''uma fria''. ''Tem muito terreno parado, com grandes áreas sendo transformadas em pasto. Seria justo doá-las para que as famílias necessitadas cultivassem sua subsistência, mas o governo não deveria dar a documentação aos que recebem a terra, pois a maioria deles vende sem ao menos iniciar o plantio'', diz.

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