Cleberton Felipe, 12 anos, não perde as atividades desenvolvidas no Centro Comunitário da Vila Fraternidade, Zona Leste de Londrina. Além de aprender capoeira, xadrez, musicalização e desenvolver atividades esportivas, o menino que mora em um bairro carente da cidade pode saborear uma alimentação saudável e variada. ''Eu adoro a comida daqui. Se bobear como quatro vezes'', comenta Cleberton, que faz parte do programa municipal Viva Vida. Na quarta-feira passada, foi servido para as cerca de 60 crianças atendidas no local arroz, feijão com fubá, torta de fubá com legumes, salada de legumes, frango com fubá e maçã, de sobremesa.
Desde maio, o cardápio oferecido a mais de 1,2 mil crianças atendidas pelo programa ganhou o reforço de fubá fortificado com ferro. A ação, que atinge crianças e adolescentes de nove bairros e três distritos rurais de Londrina, tem o objetivo de combater a anemia ferropriva. O trabalho é resultado de um convênio entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL), Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Prefeitura de Londrina e a empresa Nutrimilho, de Maringá.
A idéia de enriquecer a alimentação com o fubá fortificado com ferro e ácido fólico (vitamina do complexo B) partiu da Nutrimilho, que produz farinhas de milho com adição de micronutrientes. O gerente da empresa, José Ronald Rocha, conta que durante uma pesquisa pela Internet tomou conhecimento de um projeto concluído pela UEL em 2000 e que teve excelente resultado no combate à anemia. Na época, foi adicionada às refeições de crianças e adolescentes da periferia uma bebida láctea enriquecida com ferro. O projeto foi interrompido por falta de recursos.
De acordo com a professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UEL, Lucia Miglioranza, que coordenou o projeto, foi possível reduzir de 43% para 8% o índice de anemia nas crianças atendidas. O resultado do trabalho foi publicado na revista científica Nutricion e apresentado em um simpósio internacional.
No caso do fubá fortificado com ferro e ácido fólico, a professora destaca a iniciativa da Nutrimilho que, além de fornecer o fubá, está custeando as análises feitas nas crianças. Na fase inicial houve a coleta de sangue para diagnosticar a anemia e, em dezembro, novos exames serão feitos para verificar o resultado. O custo do projeto, segundo a coordenadora, é de cerca de R$ 50 mil.
Lúcia lembra que a anemia por carência alimentar é um problema de saúde pública. Além de dificultar a concentração, impedindo um bom rendimento escolar, a anemia atrapalha o desenvolvimento da criança. Nas meninas é agravada no período da adolescência pela perda de sangue na menstruação. ''Nessa fase é importante reforçar a alimentação oferecendo os nutrientes que o organismo necessita'', diz a professora.
Estudantes de nutrição da Unifil foram responsáveis pelo treinamento das merendeiras, elaboração do cardápio e acompanhamento da alimentação. Também estão checando o crescimento e condições nutricionais das crianças.
A carência de ácido fólico no organismo da gestante, pode acarretar, nas primeiras semanas de gestações, uma deficiência do tubo neural. O feto pode ter deformações como anencefalia (ausência do cérebro), espinha bífida e meningocele (defeitos na coluna) que resultam em paralisia dos membros inferiores, hidrocefalia e retardo mental.

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