Reflexos na venda da Copel
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Luiz Antonio Rossafa 
O atentado nos Estados Unidos pode também antecipar a queda do império. O especulador estadunidense George Soros, por exemplo, admite que os EUA poderão amargar uma profunda recessão. Se estas análises prevalecerem, será inevitável que economias como a brasileira sejam arrastadas ao caos. Pois, como sabemos, a globalização da economia está calcada no mercado híbrido de ações e títulos, vulneráveis às tempestades políticas e suscetíveis aos ''efeitos dominó''.
Não cabe aqui julgarmos o mérito dos ataques, mas uma rápida observação precisa ser feita. O país outrora uma fortaleza colhe hoje o que vem plantando ao longo dos anos. Quis ser a polícia do mundo com mandado internacional para invadir a soberania de outros povos em todos os aspectos (político, econômico e social).
Agora, a supremacia do ''modo americano de viver'' está por um fio. De caçador passou a ser caçado; mesmo estando armado até os dentes, não sabe para onde atirar. A expressão da humilhação sofrida está no semblante do presidente George W. Busch. É o pior ataque desde Pearl Harbor, em 1941, quando os japoneses os surpreenderam em plena Guerra Mundial.
Mas quem acha que vai ficar por isso mesmo está enganado: os Estados Unidos precisarão de um alvo para exemplar, mesmo que não tenha relação direta com o ato terrorista, sob pena de consolidar as perdas da hegemonia mundial e da auto-estima? Um mau presságio ronda o cenário internacional.
No Brasil, de imediato, os reflexos foram os piores possíveis. A Bolsa de Valores de São Paulo entrou em colapso minutos depois da confirmação de que ''os desastres'' em New York e Washington eram realmente atentados terroristas. O câmbio registrou uma disparada do dólar que bateu recordes. A cotação não foi maior graças as várias intervenções do Banco Central, que se viu obrigado a queimar parte das reservas nacionais. As consequências psicológicas da crise ainda são desconhecidas por completo, portanto, temos que nos preparar para o pior protegendo nossos mercado e ativos.
Neste contexto de incertezas econômicas consolida-se a opinião de que não é um bom negócio para os paranaenses e brasileiros vender a Companhia Paranaense de Energia (Copel). O momento é de cautela no plano externo e, sem dúvida, no plano interno (as matrizes energéticas passam a ter uma valorização maior no âmbito estratégico).
Para se ter uma idéia, o preço da estatal anunciado pelo governo do Estado do Paraná no último dia 6 era de R$ 4,3 bilhões, ou seja, US$ 1,7 bilhão; com a queda do império, em um único dia, o valor em dólar da nossa empresa de energia caiu para R$ 1,6 bilhão. Como se vê, é um momento inoportuno para desfazermos de um patrimônio tão cobiçado diante de tal conjuntura. Vivemos, podemos dizer, a era das incertezas.
Quiçá que os dirigentes políticos em todo o mundo assimilem o revés sofrido pelos norte-americanos e repensem um modelo de desenvolvimento de inclusão, de justiça social, de maior distribuição de renda, enfim, um projeto de nação, em nosso caso, para nós brasileiros.
- LUIZ ANTONIO ROSSAFA, de Curitiba, é presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (CREA-PR)


