Reflexões sobre o trânsito
Duas notícias nesta semana convidam à reflexão sobre o trânsito brasileiro. O Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) - Mobilidade Urbana, divulgado na última quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Avançada (Ipea) - mostra que o transporte público seria mais ''popular'' caso fosse mais rápido e eficiente. Só 20% dos entrevistados não usariam transporte coletivo em nenhuma hipótese.
Nas capitais, o transporte público é o mais usado (64,98%), seguido de carro (23,39%), moto (5,57%) e bicicleta (3,22%). Já em municípios do interior, 15,02% utilizam a moto, 8,54% a bicicleta, 35,89% o transporte público e 23,91% o carro. Menos de 50% dos usuários frequentes avaliam o serviço como bom e 36% o consideram regular.
Quem já utilizou o sistema de transporte coletivo em qualquer região do País entende bem a avaliação negativa. Nos horários de pico, os passageiros passam por apertos, além de perderem precioso tempo nos pontos de parada. Tudo isso regado a tarifas que pesam no bolso. Investir em transporte de qualidade é a saída para melhorar o trânsito nas cidades.
Entretanto, a disputa diária por espaço entre automóveis, pedestres, motociclistas e ônibus nas cidades nada se compara à batalha enfrentada nas rodovias. No ano passado, 8.516 pessoas morreram nas estradas federais - aumento de 15% em relação a 2009. Um recorde.
O crescimento do número de mortos é quase o dobro do de fluxo de veículos. Houve melhoria na infraestrutura das estradas, mas a fiscalização ficou estagnada. O traçado das vias (traiçoeiro em vários pontos) também não ajuda.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) afirma investir em restauração, aumento da capacidade, duplicação, sinalização e reforço da fiscalização. Mas os números mostram que a estratégia está falha.
É hora de dar um basta a tanta violência. É inaceitável que, pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil bata novamente recorde no número de vítimas fatais em acidentes nas estradas.





