É urgente que a sociedade reflita sobre os valores morais e a ética. O individualismo, comportamento fortalecido a partir do advento da modernidade, parece ter ganhado novas proporções nos dias atuais. É espantoso que no século 21 ainda ocorram escândalos como o caso dos médicos presos em Curitiba acusados de homicídios qualificados contra pacientes internados em uma Unidade de Terapia Intensiva e o da prisão de um casal, registrada na sexta-feira em Bela Vista do Paraíso, que negociava a adoção ilegal de um bebê.
Para ficar apenas nesses dois fatos locais, os episódios reforçam a banalização da vida humana. Médicos que, em tese, estudaram e se prepararam para salvar vidas, para lutar contra a morte, são acusados de antecipar o óbito de pacientes. São fatos muito graves e que exigem uma
investigação justa e eficiente. Não se pode julgar antecipadamente esses profissionais mas, tampouco deve-se minimizar o episódio e tratá-los como "fatos pontuais e isolados".
Já o caso da tentativa de adoção ilegal reforça um outro assunto bastante discutido atualmente: o do tráfico de pessoas. Seres humanos tratados como simples mercadorias. É gravíssimo, porque salienta a necessidade humana de satisfazer seus desejos a qualquer custo. Ter filhos é uma necessidade legítima dos seres humanos, até para a perpetuação da espécie. No entanto, seria o caso de desrespeitar as leis? Será que um casal que leva a sua vontade até as últimas consequências estaria preparado para educar uma criança?
Talvez esse seja um momento de depuração. Uma época que pode ajudar a sociedade a refletir sobre as suas atitudes. Os verdadeiros valores morais e éticos não podem ser esquecidos, deixados de lado ou lembrados apenas por conveniência. São atitudes e práticas que ajudam no desenvolvimento da vida em sociedade e que devem ser perseguidas incessantemente.

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