Reflexo da impunidade
A impunidade leva os contraventores ao extremo da abusividade. Verdade que depois de muitos acontecimentos que chocaram o londrinense, nestas últimas semanas finalmente o poder público admite que esta é uma sociedade que faz parte do Estado e, como tal, seus membros pagam impostos e têm direitos como contrapartida. Então esse poder público, mesmo que tardiamente, agora acena com algumas medidas que podem inibir um pouco a ação dos criminosos.
A instituição de uma força-tarefa para combater o narcotráfico e reduzir o rastro de sangue que esse crime gera ainda é pouco, mas é uma gota de água pura respingada num tambor de lama. Assim como a operação da polícia para fechar os bares e as boates clandestinas, como também o anúncio da vinda de mais investigadores. Tudo isso, porém, ajuda no combate à criminalidade, deve-se ser justo.
Mas há muito o que ser feito. O caderno Folha Cidade de hoje traz reportagem de um drama que abate uma família londrinense. Tudo começa com uma casa arrombada e seus principais pertences levados pelos ladrões. O que não foi possível ser carregado os arrombadores queimaram. Nas paredes, o recado justificando essa ação.
Esse não foi um ato só de ousadia dos contraventores. Foi um recado: o de que agem com muita tranquilidade, a ponto de promoverem ações que despertam a ação de vizinhos, como é o caso dos móveis incendiados. E, crueldade, sem dúvida, que não se limita apenas ao roubo, à subtração de bens que, provavelmente, custaram na aquisição sacrifícios de todos os membros da família que foi vítima. E se nada restou para ela, porque o que sobrou foi destruído, este prejuízo material foi provocado por uma ação de bandidos que, acostumados com a impunidade, nada mais sentem e temem. Eis o balanço: se nada restou de material, sobrou àquela família o ônus do afetamento psicológico.
Walter Ogama





