Reflexão para o Dia dos Mortos
Nelson Araújo de Oliveira
Ainda é possível ouvir o eco ressonante da voz de Cristo, transpondo as fronteiras, através dos tempos, para nos esclarecer sobre o fato de que os mortos hão de ouvir essa voz nos sepulcros. E, nessa oportunidade, muitos ressuscitarão para a vida eterna. Para confirmar esse extraordinário evento, o mais fantástico da história humana, existe uma indescritível e gloriosa promessa de vivificação do corpo na ressurreição que esta é, verdadeiramente, a única possibilidade de reviver de novo.
Se alguém não percebeu ainda a existência de inúmeras provas bíblicas confirmando que a alma não tem vida sem corpo deve, então, reconhecer pelo menos, a comprovação científica deste fato. Se existisse mesmo uma alma imorredoura, capaz de continuar com vida após a morte do corpo, ela deveria também não se interromper com suas atividades, permanecendo intocável na sua imortalidade, quando em estado de coma profundo desse corpo, visto que o imortal não pode sofrer mudança de comportamento.
Todavia, já se comprovou, cientificamente, que toda faculdade do homem nesse estado de acefalia, o mais, do homem, permanece mudo e estático. Se o quadro clínico dele melhorar, recupera-se à normalidade, mas a alma não se recorda de coisa alguma; nem sequer tem noções do tempo. Agravando-se esse quadro, é a morte. A alma que, até então, estava muda, e sem dinamismo, agora, na morte do corpo, como viverá? Se alguém afirmar que vive, será contra-senso. Mesmo porque, se a alma fosse, de fato imortal, anularia a ressurreição. O imortal não precisa ressuscitar. Por causa disso, Cristo assumiu a natureza humana.
O espírito que o moribundo entrega a Deus, quando morre, é apenas o fôlego de vida. O próprio Jesus não subiu ao céu. Quando expirou na cruz, Ele mesmo disse isto a Maria Madalena. O eu pensante de Cristo estava dormindo com o corpo Dele no sepulcro. E só subiu ao céu 40 dias depois.
A Bíblia e a ciência, harmoniosamente, comprovam o sono inconsciente da alma do morto. Os religiosos devem, entretanto, acreditar na ressurreição. Foi por esta razão que o apóstolo Paulo escreveu que a alma não vive logo após a morte do corpo, mas dorme. Ele explicou: ‘‘Se não houver ressurreição, os que dormiram em Cristo estão perdidos’’. Porque o livro sagrado dos cristãos, a Bíblia, promete salvação e vida para o corpo e não para uma alma ou espírito no estado de eterificação. O espírito não tem carne, nem osso. Estas são palavras do próprio Senhor Jesus. E, assim, por definição não tem olho; e, por lógica não vê Deus.
Eis, agora, ao alcance da nossa percepção, a mais sublime, contundente e incontestável verdade: sairemos dos sepulcros para uma nova vida com Cristo, em um corpo ressurrecto, visível e palpável, do mesmo modo que aconteceu com Jesus. Somente o sepulcro é o lugar intermediário entre esta vida e a futura. Jesus não foi o único a assegurar isto. Os profetas também o afirmaram. ‘‘Abrirei vossas sepulturas e tirarei delas o povo meu’’ (Ezequiel, 37:12); ‘‘Minha alma está apegada ao pó, vivificai-me, Senhor, segundo vossas promessas’’ (Salmos, 119:25); ‘‘Despertai vós que habitais no pó’’ (Isaías, 26:19) e ‘‘todos que dormem no pó da terra, ressuscitarão’’ (Daniel, 12).
Há ainda um relato convincente, conclusivo e esclarecedor do evangelho de Mateus: ‘‘E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados’’. Eles estavam adormecidos e saíram das sepulturas. Não desceram do paraíso, nem do seio de Abraão. Não vieram de lugar algum, tão-somente reviveram nos sepulcros. Do mesmo modo que Jesus reviveu.
Haverá, com certeza, um novo dia de glória, uma nova manhã de sol radiante e aquecedor. Haverá uma nova terra de primavera florida, numa extensão sem limite, num jardim paradisíaco, com abundância de frutos da longevidade, onde os homens não aprenderão mais a guerrear. Não haverá dor, morte ou lamentações. São Pedro registrou que essa terra há de existir. Não chore pelos mortos, eles voltarão.
- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor em Londrina

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