Referendo não afasta deveres do Estado
Qualquer que fosse o resultado do referendo não iria afastar a responsabilidade do Estado com a segurança social. O povo decidiu e esta vontade é soberana, mas encerra o recado ao Governo de que a sociedade não está segura e, por isso, deseja valer-se de um recurso próprio de autodefesa. A compra de uma arma de fogo e munição continua permitida, porém dentro das normas do Estatuto do Desarmamento que não se alteraram. As diferentes opiniões sobre inconvenientes ou benefícios de possuir uma arma foram manifestadas durante a campanha e esta é agora uma discussão vencida e se o veredicto final foi o que se sabe, então é isto o que o povo brasileiro deseja. Mas em nenhum momento, pela voz das urnas, ficou dito que os sistemas públicos de segurança, diante da vitória do ''não'' á(ou do ''sim'', se tal houvesse ocorrido), iriam se livrar de seu dever de propiciar todas as garantias possíveis à guarda dos cidadãos. É justamente agora, no calor da revelação da opinião popular representada pela maioria, que a questão dos atentados contra o patrimônio alheio deve ser discutida. Porque, na grande maioria dos casos, os delinquentes que atacam à mão armada desejam apropriar-se de bens alheios. Há que discutir, então, o reforço dos mecanismos de defesa e repressão, sem imaginar que essa tarefa será da ''sociedade armada'', e o Governo tomar consciência de que precisa facilitar o desenvolvimento econômico, que é propiciador de empregos e da eliminação desse tipo de delito. O momento oferece aos governantes e aos membros dos Parlamentos únicos capazes de criar leis e dar-lhes forma e de eliminar ou reformular as inadequadas a oportunidade de reflexão e de uma reprogramação das prioridades, que não sejam as cirandas das CPIs e do zelo pelas suas conveniências pessoais. O referendo, com qualquer resultado, iria revelar que o problema da violência tem a ver com as carências sociais. Se com arma nas mãos ou não a sociedade fica mais segura é uma questão não suficientemente definida, mas é certo que quando o indivíduo tem um emprego e um ganho decente sobra pouco espaço para idéias de apropriação do que não lhe pertence. O Governo daria uma grande arrancada para o crescimento dos padrões de vida e da emancipação dos cidadãos se diminuísse a carga tributária, contivesse seus gastos supérfluos, se empenhasse para a queda da corrupção, concentrasse menos renda e deixasse a moeda circular livremente, implantasse juros civilizados (porque os bancos e sistemas financeiros são também grandes delinquentes por conta dos juros assassinos que praticam com o aval oficial), reformulasse legislações inadequadas, eliminasse a burocracia emperradora e submetesse à apreciação dos congressistas grandes projetos desenvolvimentistas. Dessa forma, roubos e assaltos iriam desaparecendo naturalmente.





