O referendo que hoje se realiza não causará, ao menos de imediato, alteração nenhuma nos níveis de segurança dos cidadãos brasileiros. Porque as instituições públicas incumbidas do setor não irão ficar melhores e continuarão incapazes de conter a onda de violência que assola o País. É tecla batidíssima declarar que o mal reside nas carências sociais - que induzem pessoas a atentados contra o patrimônio alheio - mas tal é a verdade. Quando todos têm emprego e ganho suficiente para sustentar-se e sustentar aos seus, a tendência de avançar sobre o que é dos outros diminui para quase zero. Assim é nas nações socialmente desenvolvidas, onde os bens e as riquezas servem a todos. Os crimes passionais e os motivados por desavenças certamente continuarão, em qualquer regime, mas há uma queda de roubos e de apropriações, por via do uso de arma, quando todos têm acesso normal aos bens comuns. A humanidade, pelos padrões hoje aferidos, não tem garantia de que falcatruas deixem de ocorrer - com os cidadãos armados ou não - porque essa é uma sinistra qualidade dos humanos. Só quando corações e mentes estiverem desarmados, então sim as armas não farão mais sentido e passarão a constituir peças de museu. Referendos são a melhor forma de o povo decidir, pela representatividade da maioria, e deveriam acontecer com mais freqüência. Há quem condene o que se realiza hoje, pela razão de que não irá produzir, como um passe de mágica, alterações na situação das inseguranças sociais. Outros mencionam o elevado volume do dinheiro gasto para a realização dessa consulta pública, mas se é verdade que a verba poderia ser destinada a fins assistenciais ou alguma obra, ao menos o Governo abre o cofre e esparrama no meio circulante um pouco da fortuna que armazena e que esbanja na farra pública. Há que consagrar a validade do processo - o de entregar ao povo a decisão - e assim deveria ser com todas as coisas fundamentais que os governantes demoram para decidir, ou nunca decidem. Todos os plebiscitos, assim como são as eleições convencionais, devem ser aplaudidos e realizados também em nível apenas comunitário, se preciso. Não existe forma mais democrática de decisão do que esta, que se não é absoluta, é ao menos um resultado da posição da maioria, e sistema melhor não se conhece. Hoje, exatos 122.042.825 brasileiros - 6.949.437 dos quais no Paraná - estão aptos a votar pelo ‘‘Sim’’ ou pelo ‘‘Não’’, respondendo se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil. Se as pessoas concordam ou não que os cidadãos civis possam obter uma arma, não é uma questão para tiroteio, porque conta muito o processo e a validade de realizá-lo, que é o da livre manifestação popular. O que a maioria decidir será o que a maioria quiser. Não há o que contestar.

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