Reféns do crime organizado
É tal o colapso da área pública em relação ao crime organizado que o sistema presidiário é hoje refém de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. No cotidiano das tentativas de extorsão por telefone com a dramatização de filhos desesperados que pedem proteção dos pais, enquanto o comandante da operação dá ordens para remeter dinheiro em contas determinadas, percebe-se que essa chantagem, que se vale do nervosismo e ansiedade das suas vítimas, parte de presídios via celulares.
O advogado criminalista Dálio Zippin Filho, membro do Conselho Penitenciário Nacional, afirmou em entrevista à Folha de Londrina que em 99% dos presídios essas facções permanecem em intensa atividade. Há presídios, segundo ele, que para transferir um preso de uma cela para outra é preciso, burocraticamente, a autorização de um chefe do PCC. O primeiro absurdo é a facilidade com que os telefones celulares chegam não apenas aos presídios mas também aos encarcerados em delegacias de polícia. Só esse fator, inadmissível em países mais organizados, é a prova da fragilidade do sistema e que se dá também nas chamadas penitenciárias de segurança máxima.
No governo passado o secretário de Segurança,Luiz Fernando Delazari, afirmou várias vezes que esses agrupamentos não tinham chegado ao Paraná como se até por motivos logísticos elementares - a fronteira, a proximidade com São Paulo e a vastidão do ''mercado'' criminal - isso fosse evidente como os fatos afinal comprovaram.
Não se trata de uma guerra perdida, mas que dependeria de muito investimento em inteligência e infraestrutura para as polícias. Mesmo na prisão de Catanduvas, de segurança máxima, se percebeu vulnerabilidades como de resto se dá com outras. Visível que o sistema é permeável a negociações com as quadrilhas que fazem no presídio alguma coisa muito parecida com uma guerrilha. E ela aparenta estar vitoriosa, tal a impotência do governo para enfrentá-la.





