Reféns de um padrão de beleza
Cresce o número de adolescentes brasileiros que se submetem à cirurgia plástica. É o que mostra reportagem publicada hoje na FOLHA, fazendo um alerta a pais, educadores e profissionais das áreas de saúde: vítimas da chamada tirania da beleza, muitos jovens estão buscando nos hospitais e nas farmácias a fórmula da felicidade.
Segundo estudo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em quatro anos aumentou em 141% o número de cirurgias plásticas realizadas em pessoas entre 14 e 18 anos no País. Foram 37.740 procedimentos realizados em 2008 contra 91.100 em 2012. Outra comprovação de que a busca pela cirurgia plástica está acontecendo mais cedo é o dado da pesquisa que mostra o aumento do número de jovens no total de intervenções. Embora as operações realizadas em adultos sejam a maioria, a presença dos adolescentes subiu de 6% em 2011 para 10% em 2012. Os procedimentos mais procurados por essa faixa etária são implante de silicone, lipoaspiração e correções no nariz.
É preciso compreender o que leva os jovens a procurarem cada vez mais cedo uma medida tão extrema quanto a intervenção cirúrgica. Como em todo o país tropical, onde o sol brilha na maior parte do ano e esquenta a areia e a água de suas belas praias, o povo brasileiro valoriza muito um corpo bem feito e isso vale tanto para as mulheres quanto para os homens. É um campo fértil para a indústria da beleza, da moda e dos medicamentos para emagrecer ou ganhar músculo.
Há situações em que as cirurgias plásticas são necessárias e a decisão deve ser tomada junto com um médico especializado. Aos pais, vale lembrar que se trata de uma cirurgia como qualquer outra, com todos os riscos inerentes ao procedimento. É preciso ainda questionar: os jovens não estão simplesmente buscando o imediatismo ou procurando o caminho mais fácil? Será que um bom programa de ginástica e uma dieta saudável não resolveriam o problema? Serão mesmo as gordurinhas salientes ou o nariz fora de padrão as causas de tanta insatisfação? Os adolescentes não estão se preocupando demais com os padrões de beleza hollywoodianos e das revistas de moda e esquecendo de valorizar as diferenças físicas, a cultura e o caráter?





