O preço das tarifas de pedágio no Paraná tem sido motivo de longo debate desde que as principais rodovias do Estado foram repassadas à iniciativa privada no governo Jaime Lerner, em 1998. De lá até hoje, pouco se avançou tanto na questão da redução do valor das tarifas como na duplicação ou no acréscimo de terceira faixa das estradas. E, como determina o contrato de concessão, todo final de ano o pedágio é reajustado onerando não só o usuário comum mas toda a cadeia produtiva paranaense que utiliza o transporte rodoviário.
Conforme reportagem publicada ontem na FOLHA, o governo do Rio Grande do Sul adotou uma medida radical e não vai renovar as concessões de pedágio naquele Estado. Para isso, criou a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) que vai gerenciar o sistema de pedágio nas rodovias estaduais. O valor das tarifas deve ser reduzido entre 25% e 30%. Já os trechos das rodovias federais serão devolvidos à União. Luiz Carlos Bertotto, presidente da recém-criada EGR, ilustra que o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem gaúcho duplicou duas das três rodovias sob concessão estatal, enquanto as concessionárias privadas não duplicaram nenhum quilômetro.
A solução gaúcha, no entanto, só poderá ser aplicada no Paraná em 2022, quando vencem os contratos de concessões. Até lá, vale o governo do Estado e demais entidades insistirem na contrapartida das empresas em duplicar rodovias para melhor segurança dos usuários e rapidez no transporte de produtos industriais e da grande safra agrícola paranaense. A Federação das Indústrias do Paraná acaba de iniciar pesquisa para apurar o impacto da tarifa do pedágio sobre o custo de produção. Já o governo do Estado promete divulgar em breve o resultado do trabalho de uma comissão criada para discutir os atuais contratos. Na prática, a comissão já conseguiu cobrar e antecipar a realização de obras, mas, por outro lado, o grupo também admite que as negociações com as empresas podem gerar impacto futuro na tarifa.
Espera-se que ambos os estudos venham atender os anseios dos usuários de poder trafegar por rodovias seguras pagando um preço compatível com o nível de estrutura oferecido pelas concessionárias. Poderia-se ainda iniciar um levantamento se é interessante ou não ao Paraná também seguir pelo caminho da reestatização de suas rodovias ao fim das concessões.

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