Partindo do princípio de que partidos autênticos só se constróem na forja da militância mobilizada, o PSDB paranaense viveu na semana passada um momento histórico, ao reunir em Campo Mourão centenas de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos pela legenda nos Estados que compõem o Codesul (Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
Por três dias, estas lideranças e militantes tucanos mantiveram contato com figuras de expressão do governo federal - à frente delas, o ministro da Administração, Bresser Pereira -, familiarizando-se com os programas e projetos que podem ser adotados nos municípios a partir de janeiro, quando tomam posse. Foi uma espécie de curso intensivo sobre o funcionamento da máquina pública federal, dando ênfase a seu relacionamento com Estados e prefeituras.
A par disso, os mais de 500 participantes do encontro - representando cerca de 300 municípios - discutiram a agenda do partido para o biênio 97/98, traçando metas e definindo prioridades políticas, num debate que teve a participação de lideranças nacionais, como é o caso dos senadores Teotônio Vilela Filho e Lúcio Alcântara.
Ao final, foi aprovada a Carta de Campo Mourão, documento que reafirma os compromissos do PSDB com a social-democracia, num ambiente sócio-econômico que conjugue o combate inadiável às desigualdades sociais com os desafios prementes de inserção do Brasil no processo de globalização da economia.
Não poderíamos nos omitir no propósito da questão da reeleição.
Paralelamente ao êxito do programa de estabilização, que reduziu drasticamente a inflação, garantindo uma moeda estável, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso mobiliza esforços no sentido de resgatar a imensa dívida social que envergonha o país.
Mas combater a miséria, reduzir as desigualdades e democratizar o acesso à educação, saúde, moradia e a uma vida mais digna não é tarefa instantânea, sobretudo depois de décadas de política econômica perversa, cujas mazelas privilegiaram os mais ricos e massacraram a massa da população pobre. Além de determinação política, é necessário tempo para executar esta gigantesca missão - e o presidente Fernando Henrique caminha na direção certa.
Neste contexto é que a Carta de Campo Mourão afirma o seu apoio ao direito de disputar a reeleição, exatamente como ocorre nos países de maior tradição democrática, onde os governantes são submetidos ao teste das urnas para receber a aprovação, ou rejeição, de suas administrações. Este direito é legítimo e justo, por isso merece ser contemplado pela Constituição.
- RUBENS BUENO é prefeito de Campo Mourão e presidente do Instituto Teotônio Vilela/PR.

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