Reeleição
Reeleição
Fahed Daher
Nem tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. Por exemplo: para os Estados Unidos, é bom exportar para o Brasil a baixas taxas de importação, e importar do Brasil, agravando as taxas aduaneiras. Outro exemplo: fomentar a globalização, quando eles possuem altos capitais capazes de invadir esta terra tupiniquim (já que não temos como comprar as empresas americanas) drenando os lucros para cá.
A cultura americana é a do colonizador, com a família, sedimentando morada na terra e com a Bíblia no sovaco. A nossa cultura é a do bandeirante, bravo e heróico, só, peregrinador pelos campos, serras e matas, com o bacamarte, a procura de ouro, prata, pedras preciosas, disposto a enriquecer e voltar rico para a terra-mãe.
Se pode ser bom para o americano do Norte o processo da reeleição, para nós está provado historicamente que a repetição de cargos não é bom negócio, e aqui englobo o erro de se permitir reeleição de diretorias de cooperativas e sindicatos.
A reeleição de cargos públicos, especialmente executivos, sem que o mandatário se afaste do cargo, é processo de coronelismo e que muito interessa ao grande capitalista, como banco, empreiteira e empresa estrangeira (é a globalização) que mantêm seus privilégios a longo prazo pelos compromissos assumidos e garantia de manutenção.
Em nível de povo, reeleição não traz benefícios, especialmente porque (e quando) o sistema de governo não tem plano nem metas sociais a serem atingidas e que poderiam ser modificadas ou deturpadas pela presença de outros governantes. Além disso, o uso da máquina do governo em mãos do proposto à reeleição, mesmo dentro dos ditames legais, é deslealdade eleitoral, pois se não for por outros benefícios, somente pela publicidade (que também é propaganda) às custas do dinheiro público, ele faz a diferença de poder de pressão eleitoral.
Fazem bem os senadores em propor o fim da reeleição, especialmente para os cargos de executivos mas desejo ir um pouco além. Da mesma forma que o Congresso aprovou a lei da reeleição, sem plebiscito e, segundo notícias da imprensa, com um custo de R$ 40 milhões, que foram tirados dos nossos bolsos, pelos processo de impostos que pagamos para receber benefícios que não estamos recebendo, está na hora de rever a Constituição e estabelecermos o parlamentarismo, estilo inglês ou mesmo francês, quando o Executivo é estável enquanto cumpre as metas definidas filosoficamente e praticamente e perde o mandato quando foge dessas metas.
E mesmo o Congresso, no parlamentarismo, pode ser destituído quando exacerba das suas funções, como o excesso de sessões extraordinárias (recebimento extra) e o excesso de comissões parlamentares de inquérito (lucros extraordinários), que são desaprovados pelo Judiciário (vide caso dos bancos).
Dizem que o mal da política é o analfabetismo. Nego. O mal da política são os políticos sem patriotismo e entregues ao capricho dos grupos econômicos que financiam eleições, influência que diminui no parlamentarismo pela instabilidade dos cargos, pela definição das filosofias partidárias e diminuição do número de partidos. E mais: com o voto distrital, valorizando cada região que conhece seus parlamentares e sabe e pode cobrar dos mesmos atitudes mais patrióticas.
Se o analfabetismo está presente, culpe-se os políticos que não ousaram disseminar escolaridade que não seja somente de decodificação das letras, que permitem toda espécie de jogos e sorteios em benefício do futebol e não deixam que estes jogos e sorteios beneficiem escolas, cursos técnicos e universidades.
Contra a reeleição, em todos os cargos executivos públicos e de entidades sociais não recreativas! A favor do parlamentarismo e com ele o voto distrital.
- FAHED DAHER é médico em Apucarana





