Parece que, afinal, o Congresso Nacional começa a aperceber-se de que o aumento de impostos é um erro político. Deputados de todos os partidos, inclusive petistas, reagiram mal à idéia do governo de elevar de 20% para 20,6% a taxa de contribuição patronal à Previdência um jeito simplista de bancar os R$ 12,3 bilhões de atrasados devidos aos aposentados e o próprio presidente da Câmara Federal, João Paulo Cunha, do PT paulista e defensor dos projetos governamentais, declara que há um desconforto em aprovar uma tal proposta. Se os parlamentares sentem esse mal-estar, imagine-se a classe empresarial, já sufocada por tanta tributação e por tanto aumento dessa carga.
A reação dos empresários foi fortíssima, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tenta amenizar o clima anunciando que o governo ''mais do que compensaria'' a elevação daquele item, desonerando a carga sobre a folha de pagamento proposta que, segundo afirma, enviará ao Congresso no mês que vem. João Paulo vai além e diz que será preciso tomar cuidado com o aumento de impostos, porque já houve a elevação da Cofins e da Contribuição sobre o Lucro Líquido.
O próprio deputado Paulo Bernardo, do PT do Paraná e presidente da Comissão de Orçamento, admite que não será fácil aprovar a medida provisória do governo que estabelece aquela majoração e que ''os próprios aliados reagirão mal''. Naturalmente que importa menos a reação dos aliados e muito mais o ônus sobre a cadeia produtiva, mas ao menos algo parece estar mudando no entendimento dos parlamentares, já pouco dispostos a aceitar mais sangrias tributárias num país que trilha ainda por caminhos de recessão e desemprego e tangido tão duramente pelos açoites da sanha arrecadadora.
A criatividade governamental deve voltar-se para medidas que aliviem a empresa do peso de tanto imposto, e assim abrir caminhos de poupança de gastos e desenvolvimento, e não adotar a perversa fórmula de aumentar impostos. A receita tributária certamente deveria crescer em função da maior produção, mas o governo não entende essa dinâmica. Ao invés de apertar ainda mais o torniquete tributário, a ponto de frear o fluxo da economia e necrosar todo o organismo, melhor se o governo cuidasse de diminuir o custo da máquina pública e assim lhe sobrariam os recursos de que necessita para atender aos seus encargos. Mas o governo não tem nenhum plano nesse sentito.

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