Se for feito um plebiscito, com toda certeza o eleitorado brasileiro dirá que é a favor de uma radical redução do número de parlamentares, em todas as casas legislativas. Para que isso ocorra hoje, os próprios parlamentos teriam de tomar a decisão, e pode-se imaginar quão isto seria difícil. A menos que uma forte pressão emanada das massas encurrale a comunidade parlamentar. É isto o que agora a Associação Comercial do Paraná (ACP) ensaia, visando a mobilização social nesse sentido. A entidade, por ora, está enfocando apenas a Câmara Federal, que tem 513 deputados, e sugere que 180 seriam mais que suficientes ou, um para cada milhão de habitantes. O movimento é ousado e relevante, primeiro pela própria ação, que emerge de uma representatividade civil, e segundo pelo objetivo, que é diminuir o gasto público e tornar mais eficiente o desempenho legislativo. Menos deputados significa também menos assessores, menores instalações, redução de material de expediente e, com certeza, menos corrupção. E com um quadro mais enxuto, haveria menos trombadas físicas e políticas de tanta gente, um melhor selecionamento dos eleitos e um mais eficiente policiamento por parte do eleitorado. As votações seriam mais ágeis, sem dúvida. A campanha da ACP poderá desencadear uma mobilização nacional envolvendo outros Estados e outras associações e acionar a nação inteira. Uma redução dessa ordem, na Câmara Federal, iria possibilitar um efeito-cascata também sobre as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais, e pode-se calcular o quanto isto representaria em economia para o cofre público e em melhoria qualitativa dos parlamentos. Na esteira de uma tal mudança poderia ser implantado o sistema de proporcionalidade também no Senado, alterando a anomalia vigorante que tem igual número de senadores para Estados diferentes em população, importância política e colégio eleitoral. Com a diminuição do quadro parlamentar seriam afastadas idéias mirabolantes como a de construir um caríssimo anexo no edifício do Senado, o que no momento anima o presidente da Casa e outros senadores inconsequentes e gastões. Se, pelo caminho natural, os abusos não são contidos, uma sábia providência será reduzir o número de parlamentares, para que haja menos deles onerando a despesa pública, e assim o governo resultaria mais barato. Seriam também menos cabeças tentadas a cometer atos indevidos. O Brasil não precisa de cinco centenas de deputados federais, e, no caso do Paraná, a Assembléia Legislativa (com 54 deputados) ficaria ótima com menos da metade, e uma Câmara Municipal desempenharia muito bem suas funções com apenas 10 vereadores. É a qualidade e não a quantidade que faz a diferença.

mockup