Reduzir atropelamentos é desafio no trânsito
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de setembro de 2000
Michele Muller De Curitiba 
A redução do alto índice de atropelamentos registrados no País passou a ser o maior desafio do novo Código de Trânsito Brasileiro. Só no Paraná, foram registrados 4,7 mil acidentes envolvendo pedestres no ano passado e 4,6 mil em 1998. Este ano, o índice não deve ser muito diferente. Entre janeiro e junho, 2,5 mil pessoas foram atropeladas (dados do BPtran). Não à toa a divulgação dos deveres dos pedestres será o maior desafio da Semana Nacional de Trânsito, que começa amanhã com atividades promovidas, no Estado, pelo Detran-PR e pelos órgãos municipais de trânsito (veja nesta página).
Os motoristas passaram a ser mais prudentes porque estão sendo punidos. O mesmo não está acontecendo com os pedestres, alerta o diretor do Detran-PR, César Franco. Mesmo com a alta incidência, a aplicação de multas aos pedestres, como prevê o código, não está sendo cumprida. E nem deve ser respeitada tão cedo, de acordo com o diretor do Detran. Primeiro temos que conscientizar as pessoas para depois partirmos para punições. Elas ainda não sabem por que têm que atravessar na faixa, disse. Segundo ele, esse tipo de penalidade dificilmente seria aceita no Brasil. Aqui não existe ambiente, nem cultura para isso.
Enquanto no Paraná houve um leve aumento no número de atropelamentos, Curitiba registrou uma redução de 24% no índice de pedestres feridos e mortos entre 1996 e 1999, segundo informações do Diretran. Ainda assim, a queda na quantidade de infrações cometidas por motoristas nesse período foi bem maior 58%, sendo que há um aumento de 5% na frota de automóveis na cidade a cada ano.
A chefe do núcleo de educação e cidadania do Diretran, Mara Moro Barbosa, acredita que as campanhas realizadas na cidades são as maiores responsáveis pela divergência dos dados da capital em relação aos do Estado. A população está sendo conscientizada em relação ao seu meio ambiente, afirmou. Mas a situação ainda exige alerta. A capital é palco para cerca de 50% dos acidentes que ocorrem em vias urbanas no Paraná.
Cerca de 10% dos atropelamentos no Paraná acabam em mortes e uma média de 6% dos acidentes envolvem mais de um pedestre. Dados do BPtran apontam que, no ano passado, das 5,1 pessoas acidentadas, 462 morreram. Este ano, houve 2,1 mil acidentados e 233 vítimas fatais.
Na opinião da coordenadora de educação para o trânsito do Detran, Stella Maris Figueiredo, a conscientização é mais importante que a punição e deve começar a se formar nas escolas. Não apenas porque lá estão os futuros condutores, mas porque os jovens em idade escolar são as principais vítimas de atropelamento. Informações do BPtran mostram que, em Curitiba, os pedestres mais descuidados são meninos entre cinco e 14 anos. De janeiro a julho deste ano, acidente com pedestres na cidade envolveram 115 garotos nessa faixa etária e 71 meninas.
A educação para o trânsito é prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (artigo 74) e incentivada nas escolas por meio de palestras e capacitação dos professores, promovidas pelos órgãos competentes. Nós estamos incentivando os professores a trabalhar com o tema de forma interdiscliplinar. As normas do trânsito podem ser ensinadas durante uma aula de educação física ou até de ciência, explica Stella. A capacitação é feita uma vez por ano para funcionários de escolas públicas e particulares.


