Redução nas tarifas de energia
País com uma das maiores cargas tributárias do mundo em 2012 atingimos a incrível marca de R$ 1 trilhão em tributos municipais, estaduais e federais -, o Brasil dá um pequeno passo para diminuir a mastodôntica carga de impostos sobre o contribuinte. A redução das tarifas de energia elétrica anunciada na última quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff, em cadeia nacional de televisão, é um alívio ao consumidor. A medida provisória, já em vigor, prevê desconto de 18% para as residências e 32% para o comércio e a indústria.
O benefício não sairá de graça: vai custar R$ 8,46 bilhões por ano aos cofres públicos. O dinheiro seguirá do Tesouro Nacional para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) que, por sua vez, repassará às empresas concessionárias de energia elétrica. O valor desembolsado pelo governo aumentou depois que Copel, Cesp e Cemig - companhias energéticas controladas pelos governos do Paraná, São Paulo e Minas Gerais (todos comandados por governadores do PSDB, principal opositor do PT de Dilma) - não aderiram ao acordo e não aceitaram antecipar a renovação das concessões do setor elétrico. A "bondade" anunciada pelo governo é vista pelos críticos com duplo viés. Ao mesmo tempo em que tenta impulsionar a economia nacional, o benefício teria um pano de fundo político visando as eleições presidenciais em 2014, daí o embate com os governadores tucanos.
Durante o discurso de anúncio da redução das tarifas de energia, Dilma garantiu que o País não enfrentará um apagão e que está preparado para responder pelo aumento da demanda por ocasião de eventos como a Copa das Confederações este ano, a Copa de 2014, a Olimpíada de 2016 e a própria necessidade das indústrias. Discursos à parte, é necessário que a Agência Nacional de Energia Elétrica também cobre melhor eficiência nos serviços prestados ao consumidor. Seria desastroso, por exemplo, um apagão durante os eventos internacionais que o Brasil irá sediar nos próximos anos.





