Redução de juros e crescimento econômico
O novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, anunciada semana passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza ainda uma preocupação com a crise econômica mundial. A taxa, até então estipulada em 7,50% ao ano, ficou definida em 7,25%, um índice baixo para os padrões brasileiros. A taxa de juros real (descontada a inflação) está na casa de 1,7%.
Toda redução na taxa de juros é benéfica para o consumidor. É bom porque estimula o consumo e, consequentemente, a produção industrial, garantindo a manutenção dos empregos. Com índices menores, os juros pagos pelo consumidor também caem. Por outro lado, cai também o rendimento da poupança e de aplicações financeiras, o que de certa forma estimula o consumo. No entanto, neste momento é preciso que as atenções se voltem também para os índices de inflação. A meta estipulada para este ano é de 4,5%, mas já trabalha-se com índice de 5,2%. Será que esse novo corte na taxa de juros não acabaria por estimular o aumento da inflação?
A política econômica brasileira adotada para enfrentar a crise internacional sempre foi pautada no consumo. Deu certo e beneficiou também a população porque havia uma demanda reprimida pelos mais variados produtos, de imóveis, eletroeletrônicos, automóveis e alimentos. No entanto, é importante que neste momento a política também se volte aos investimentos. O excesso de consumo não se sustentará a longo prazo, além de provocar o endividamento das famílias. Já investimentos em infraestrutura, por exemplo, são uma necessidade real. É preciso enfrentar os gargalos impostos após décadas deficitárias. Muito mais do que atrair capital externo especulativo é preciso atrair investidores.
Outro ponto que não deve ser deixado de lado são os investimentos em educação. Além da falta de infraestrutura, o País enfrenta um ''apagão de mão de obra''. As taxas de desemprego estão entre as mais baixas, inclusive alguns municípios atingiram a situação de ''pleno emprego'' (quando a taxa de desocupação atinge 3,5% da população), mas faltam trabalhadores qualificados. Esta também é outra realidade brasileira. Portanto, o momento pede que sejam adotadas medidas mais efetivas e que gerem resultados a longo prazo. Iniciativas pontuais, como as desonerações tributárias, surtiram o efeito desejado, mas é preciso focar no crescimento sustentável a longo prazo.





