''Redistribuir o trabalho é saída para desemprego''
Redistribuir o
trabalho é saída
para desemprego
Para De Masi, o menor uso de mão-de-obra não precisa ser encarado como uma má notícia por empresas e empregados. Como exemplo, ele cita uma empresa italiana, que em 20 anos consegue produzir 18% mais com 20% menos pessoal. Isto significa que a cada ano ela precisa de 4% menos gente para o mesmo trabalho. Ela pode reduzir o pessoal em 22%, ou diminuir o trabalho em 22%, diz, lembrando que demitir é sempre mais fácil para a empresa, que descarrega seu problema para a sociedade. Para evitar o desemprego e a violência decorrente, a saída é redistribuir o trabalho, defende.
O desenvolvimento sem trabalho, segundo ele, produz cada vez mais riquezas e mais produção com menos trabalho humano. Um computador feito em 16 horas de trabalho hoje, há dez anos precisava de 100 horas, compara.
Ele lembra que além do progresso tecnológico extraordinário e do desenvolvimento organizacional do trabalho, outra importante mudança da pós-industrialização é o desenvolvimento da mídia de massa, que coloca hoje em tempo real acontecimentos de todo mundo.
Esses fatores geraram algumas consequências para a sociedade. A primeira, na visão do sociólogo, é o aumento da vida média com a redução da mortalidade infantil. Na Itália, hoje temos igual número de pessoas com 90 anos do que tínhamos em 1990 com 50 anos, conta, lembrando que ao mesmo tempo este tem sido um problema, já que as empresas costumam despedir quem tem mais de 50 ou 60 anos, gerando uma vida de inutilidade quando a pessoa ainda tem capacidade para grande produção intelectual de trabalho. Outra consequência é o aumento da população mundial, que já alcançou os 6 bilhões de habitantes. (M.G.)





