Rede quer estender atendimento à mulher nos hospitais do PR
O Hospital de Clínicas e o Evangélico, de Curitiba, são os primeiros hospitais da Rede de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Sexual no Paraná. O trabalho envolve a Secretaria Estadual da Saúde, a Delegacia da Mulher e o Instituto Médico Legal (IML).
A construção da rede está apenas no início e a intenção é que, em três anos, esteja presente em todo o Estado. A proposta não é somente oferecer o serviço de aborto legal, mas principalmente fazer a anticoncepção de emergência, possível no máximo até 72 horas depois do estupro, e prevenir doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a aids.
Para implantar e gerir essa nova rede, foi criado o Comitê Gestor Interinstitucional para o Acompanhamento das Redes Integradas de Serviço para o Atendimento a Mulher, Adolescente e Criança que sofrem Violência. A representante da Secretaria da Saúde, Terezinha Mafioletti, conta que os números oficiais indicam em média 8 mil abortos por ano no Paraná, mas a maioria é espontâneo, ou seja, não provocado.
O comitê já está conversando com outros hospitais, mas o trabalho esbarra no preconceito e em questões éticas e religiosas. ''Os médicos não querem ser caracterizados como aborteiros'', explica.
Até no ano passado, quando surgiam casos de indicação de aborto legal, as pacientes tinham que ser mandadas para São Paulo. Para iniciar a rede, estão sendo escolhidos hospitais que funcionem 24 horas. No HC, já existia um serviço de reprodução humana e de atendimento a vítimas de violência sexual, com equipe sensibilizada e multiprofissional. Os hospitais Angelina Caron, de Campina Grande do Sul, e o Pronto Atendimento de Campo Largo já estão em conversação com a secretaria para integrar a rede.





