Recursos para a pecuária
A assinatura do convênio de R$ 120 milhões para financiar a pecuária de corte e de leite, entre o Banco do Brasil, o governo do Estado, o Sebrae do Paraná, a Ocepar e a Faep, no dia 5 de dezembro, no Palácio Iguaçu, representa um importante passo no desenvolvimento destes dois setores. Recursos federais e o Banco do Brasil vêm reforçar uma parceria e dar nova dimensão à produção de carne e leite no Paraná.
Este nosso esforço para desenvolver a pecuária paranaense vem de há muito tempo, desde que o nosso Estado ficou à margem do Circuito Pecuário Sul e foi obrigado a reformular todo o seu sistema de defesa sanitária. Primeiro reuniram-se as entidades que representam pecuaristas e produtores de leite, em torno de uma só instituição que fosse forte e ágil. Assim nasceu o Fundepec, que se aliou ao governo do Estado e, com a ajuda da Assembléia Legislativa, conseguiu uma nova Lei de Sanidade e aumentar os quadros do sistema de fiscalização da Secretaria da Agricultura.
Sempre unidos governo e iniciativa privada treinamos os técnicos do Departamento de Defesa Sanitária, e fomos em busca de recursos no governo federal, com a ajuda preciosa e indispensável de nossa bancada no Congresso.
Para consolidar este pacto entre a iniciativa privada e o governo, já então sob a liderança do secretário da Agricultura Antônio Poloni que soube como ninguém a importância de tornar o Paraná área livre de febre aftosa o Conselho Estadual de Defesa Agropecuária (Conesa) fez um grande esforço para criar 153 conselhos municipais ou intermunicipais de defesa em todo o interior do Estado. Desta forma, descentralizamos os esforços e incorporamos as lideranças locais para o primeiro grande objetivo, que era conseguir o reconhecimento internacional do Paraná como área livre de febre aftosa. Este reconhecimento ocorreu em fins de maio deste ano, em Paris, na reunião anual da Organização Internacional de Epizootias (OIE).
A primeira grande tarefa estava cumprida, porém ainda era insuficiente. Na verdade, tratava-se apenas de uma etapa. O mais difícil estava por vir: manter o estado de sanidade, melhorar a qualidade de nossos rebanhos, melhorar a nossa produção e conquistar mercados.
Ao recebermos o reconhecimento da OIE como área livre de febre aftosa, a Faep contratou dois projetos: um de modernização da pecuária de corte, e outro de desenvolvimento da produção leiteira. Antes de apresentá-los ao secretário Antônio Poloni, como uma contribuição da iniciativa privada aos projetos oficiais, tivemos o cuidado e o bom senso de fazermos uma consulta a centenas de pecuaristas e produtores de leite, para que nossos programas tivessem a sintonia fina. Somente os produtores poderiam nos ajudar na fixação correta das demandas e das metas.
A parceria entre iniciativa privada e governo, a partir dos estudos da Faep e da intenção do governo de criar o programa de Paraná Agroindustrial do qual também fazem parte a Federação das Indústrias e a Ocepar tomou uma nova dimensão. Dentro do espírito de criar as condições para novo avanço na produção primária e industrial, a Faep tem trabalhado no sentido de criar a base técnica para esta modernização, reunindo um conjunto de técnico e professores das universidades Federal do Paraná e estaduais de Londrina e de Maringá, mais o Iapar e a Emater.
Através do Senar-Paraná e do Sebrae-Paraná, com o apoio do Paraná Agroindustrial, os técnicos da extensão rural oficial e particular foram treinados para dar suporte às novas demandas dos pecuaristas, nas questões agronômicas e biológicas, e também e principalmente nas questões gerenciais. Dia 28 de novembro foram iniciados em Cascavel os cursos para os próprios pecuaristas, que serão levados a outros centros produtores do Estado.
A comissão de Bovinocultura de Corte da Faep e o Senar Paraná estão coordenando esses cursos, ministrados por professores de nossas universidades. Pois bem. Tínhamos a vontade, a união de forças, cabeças para desenvolver a tecnologia e fornecê-la aos extensionistas, o empenho de técnicos e a receptividade dos produtores.
Agora temos também recursos financeiros para financiar os empreendimentos, através do Banco do Brasil, com custos de crédito rural, de 8,75% ao ano, fixos. Esses recursos vão permitir que se alcance nova escala e tecnologias de produção, que darão os novos padrões tanto para a pecuária de corte como para a de leite. O resto virá por gravidade, na esteira do sucesso dos empreendimentos.
Se esta parceria se mantiver nos próximo anos, inclusive com novas iniciativas, que beneficiem outros setores, tenho certeza que em breve a agropecuária e a agroindústria do Paraná serão outras, capazes de fazer frente à competição feroz do mundo globalizado.
- ÁGIDE MENEGUETTE é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)





