Recuperação da credibilidade
Quase um ano depois de deflagrada a Operação Lava Jato, que revelou um grandioso esquema de corrupção e desvio de dinheiro da Petrobras, a presidente da estatal Graça Foster deve deixar o cargo. Embora anunciada por toda a imprensa, a informação não foi anunciada oficialmente. A saída também não seria imediata, já que a intenção seria primeiramente procurar um substituto para ocupar o cargo. Para recuperar a credibilidade a ideia seria buscar "alguém do mercado".
A princípio a informação surtiu algum efeito positivo. Ontem as ações da Petrobras subiram 15%, a maior alta diária desde 1998. Com a movimentação, a estatal recuperou cerca de R$ 16,5 bilhões em um só dia. Também contribuiu para que o Ibovespa fechasse em alta de 2,76% para 49.963 pontos.
A saída de Graça Foster é tardia. Desde que a compra da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos) foi divulgada como um negócio extremamente desvantajoso para os cofres da estatal e os escandâlos de pagamento de propinas e de obras superfaturadas foram divulgados, a presidente perdeu sustentação e credibilidade. Tanto que agências de classificação de risco rebaixaram a nota da Petrobras (espécie de selo de bom pagador para a sua dívida).
Embora o mercado financeiro e a maioria dos brasileiros - tenha aprovado a medida, importante lembrar que de nada adianta trocar presidência e diretoria da empresa se as ordens continuarem a ser ditadas pelo Planalto. É preciso garantir autonomia aos novos administradores e acabar definitivamente com a corrupção instalada na estatal. Uma gestão transparente e a apresentação de um plano de gestão e de recuperação da Petrobras seriam um bom começo. A maior empresa brasileira não pode continuar a ser tratada como patrimônio de um partido político que tem como projeto maior perpertuar-se no poder. É preciso um basta.





