Reconstruir a cidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Marcos Alexandre Domingues 
Como empresário e vereador, tive a oportunidade, nos primeiros dias de 97, de ser eleito, por unanimidade, presidente da Câmara Municipal de Jataizinho e, de imediato, encontrar interessados na manutenção do que existe de pior em nossa cidade, por incrível que possa parecer. Agradeço a confiança e o apoio, mas quero deixar registrado o que pretendo fazer, seguindo a minha consciência. Num município como Jataizinho, historicamente, as relações do poder político, em especial a Câmara Municipal, de um certo modo sempre foram atreladas aos interesses do prefeito e muito pouco aos da comunidade.
Fiscalizar os atos do Poder Executivo nunca foi prioridade, quase sempre prevalecendo o interesse pessoal, o compadrio e a subserviência, com raras exceções. Criou-se a chamada linha auxiliar (como um departamento vinculado ao organograma do Executivo) e a Câmara chega hoje como um poder dependente, apático e sem muita necessidade prática.
Sei das implicações destas afirmativas, mas essa omissão e permissividade geraram ao município uma situação falimentar de graves proporções, exigindo coragem e um esforço adicional para o seu reerguimento. E também o esforço de todos os integrantes da Câmara, para alterar conceitos francamente enraizados. Esta tarefa parece simples de realizar, mas não é. Sei, como empresário, que se não houver no mundo dos negócios ação firme e constante, avaliação crítica e perseverança, o fracasso é inevitável, com consequências absolutamente pessoais. Mas na administração pública a consequência e responsabilidade são coletivas, porque somos todos nós que votamos e elegemos nossos representantes. Bons ou ruins.
Fiscalizar os
atos do poder
Executivo nunca
foi prioridade
Desta forma, a situação está exigindo uma sequência participativa e transformadora, geradora de novas idéias, enfim, um conjunto de iniciativas que defina o modelo necessário para a reconstrução da cidade. Pretendo trilhar este caminho, com certeza o mais difícil - coordenando ações, no que couber, buscando dignificar o Legislativo e o papel político municipal. É o meu compromisso, sem a oposição pela oposição, a crítica pela crítica.
Espero o mesmo do novo prefeito, no que lhe couber.
A Constituição de 1988 adicionou uma série de prerrogativas legislativas no sentido de instrumentalizar o papel de vereador (aliás, vamos utilizá-las na sua totalidade), mas em muitos municípios brasileiros esta dinâmica foi por vezes esquecida e não se cumpriu o papel de fiscalizar e questionar a aplicação correta de recursos. Não basta direcionar críticas ao Executivo, se o Legislativo tem grande parcela de responsabilidade pelo que aí está.
Pretendo fazer a minha parte, com o objetivo de alterar esta realidade. Quem sabe ao final desta legislatura tenhamos em Jataizinho um perfil diferenciado da crise, modificado inclusive por iniciativas da população, que exige mudanças. Os representantes de um município, de um Estado e de um país são espelhos de suas comunidades. É preciso retomar os trilhos, esquecidos em algum lugar no passado, na época dos pioneiros que idealizavam dias melhores. Acredito ser possível esta retomada, com novos tempos e desenvolvimento. Com muitos sacrifícios. Basta vontade política, participação comunitária e trabalho. Espero que muitos possam estar comigo.


