Recolocação profissional exige disciplina e perseverança
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domingo, 12 de agosto de 2007
Marcos Burghi,br>Agência Estado 
São Paulo - A busca pela recolocação no mercado de trabalho exige calma e estratégia. Afinal, somente na região metropolitana de São Paulo há hoje 1,5 milhão de pessoas desempregadas. Ou seja, são 14,9% da população economicamente ativa disputando uma vaga, em tempos de muitas exigências e poucos (bons) empregos disponíveis. Para Adriano Arruda, diretor-geral da Catho Empregos, há duas coisas básicas: nunca se abater e transformar a busca por recolocação em uma rotina diária.
Segundo ele, a procura começa pela atualização do currículo, que deve ser distribuído entre o maior número de empresas possível. Arruda lembra que o bom currículo é aquele com informações sucintas.
Em uma página, diz o consultor, o interessado deve informar suas qualificações profissionais e seu histórico de trabalho, com ênfase nas principais habilidades e nas eventuais promoções.
''É preciso ter o objetivo de vaga definido. Nada de atirar para todos os lados'', diz. Ele alerta que erros de português no currículo são fatais para qualquer pretensão de obter uma vaga.
Em seguida, é hora de informar conhecidos, simpatizantes e finalmente aos amigos a procura por nova oportunidade de trabalho. Também é importante consultar a internet e classificados de jornais.
Arruda faz outro alerta, desta vez sobre a veracidade das informações tanto do currículo como as fornecidas durante a entrevista. ''Não minta. As empresas irão checar as referências e certamente vão descobrir a mentira'', diz. Quando a demissão está relacionada a um fato grave, melhor assumir o problema.
A gerente de Atendimento ao Empregador do Centro de Apoio ao Trabalhador da Prefeitura de São Paulo (CAT), Izilda Leal Borges, vai além e diz que o candidato deve andar com pelo menos 20 currículos à mão. ''O foco deve ser específico'', diz ela. Ela reitera que durante a busca é preciso conter a ansiedade e o nervosismo.
Auto-estima - Apesar das recomendações dos especialistas, o sentimento de frustração é o primeiro a tomar conta de um trabalhador que já foi alvo de demissão. É o que diz o administrador Jorge Parra, de 53 anos. Diretor da filial brasileira de uma empresa de tecnologia norte-americana, em março de 2002 foi surpreendido por um corte de investimentos da companhia na América Latina.
Recém-separado da mulher, ele teve de voltar a morar com ela e as duas filhas, por falta de recursos. O passo seguinte foi reduzir o orçamento. Conversou com as três e explicou a situação. À época, além de arcar com as despesas da casa, também pagava o estudo das filhas, uma no colégio e a outra na faculdade.
Como passavam os meses e não vinha o novo emprego, Parra criou uma rotina para recuperar a auto-estima: fazia atividades físicas e rememorava pontos importantes de sua carreira. Também refez sua rede de contatos para verificar possíveis oportunidades de trabalho.
De repente, descobriu a religião budista e reavivou seu lado espiritual. Passou a frequentar um templo e, aos poucos, diz, recuperou a tranquilidade. Após seis meses de busca, encontrou um trabalho de consultor, no Rio de Janeiro. ''Ainda que não fosse o que eu esperava, tive de aceitar''.
Só encontrou trabalho fixo novamente em maio de 2003, um ano e dois meses depois de demitido. De lá para cá, vê o problema do desemprego à distância, mas confessa que tirou uma lição. ''Às vezes, confundimos uma posição profissional com uma situação de vida'', diz.


