Curitiba - A Sanepar, a principal companhia de abastecimento do Paraná, quer rebaixar a classificação de rios que recebem efluentes tratados de esgoto no Estado. A proposta está escandalizando ambientalistas, pesquisadores e representantes dos comitês de bacias hidrográficas. Segundo o diretor de novos negócios da Sanepar, Lauro Klas Júnior, a idéia é baratear os custos do tratamento.
''Se um determinado rio foi eleito para receber efluentes de esgoto, não podem ser exigidos dele os mesmos padrões do rio eleito para abastecimento. Assim, o sistema se torna não sustentável'', argumenta. Segundo ele, esta é a fórmula para continuar tratando praticamente 100% do esgoto coletado no Estado, sem aumento de tarifa.
A proposta foi encaminhada para a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), mas, como a nova Lei de Recursos Hídricos modificou todo o sistema de gerenciamento no setor, o caso terá que ser discutido e aprovado nos comitês de bacias hidrográficas.
Segundo a coordenadora de Recursos Hídricos e Atmosféricos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Luciana Sicupira Arzua, no Paraná estão previstos pelo menos 16 comitês (algumas bacias terão mais do que um comitê), mas até agora há três instalados e dois em processo de instalação.
Ela explica que não é possível reclassificar um rio. O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) estabelece classes de rios, de 1 a 4, determinando os padrões de qualidade que a água tem que ter.
''Quando vamos planejar o uso das águas, enquadramos os rios em determinadas classes e, para aquele uso, vamos perseguir uma qualidade. O enquadramento é um ato de planejamento'', explica. Ela lembra ainda que a Sanepar, como grande usuária, tem interesse que a água tenha determinada classificação. ''Nossa lei diz que o órgão estadual não enquadra. Com advento da Lei de Recursos Hídricos, o sistema de gestão passa pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos, cujo braço principal é a Suderhsa'', diz.
De acordo com Lauro Klas Júnior, da Sanepar, a maioria dos rios do Paraná é de classe 2. ''Esse rio tem que estar em condições muito boas, sobre limite máximo de bactérias e demanda de oxigênio'', explica. Segundo ele, a Sanepar tem interesse que a água dos rios tenha a maior qualidade possível, mas para o abastecimento. ''Quando eles se destinam a receber esgoto tratado, não deve ter uma exigência tão grande, porque os custos de tratamento seriam muito altos'', diz.
Klas também defende que sejam decididos de comum acordo quais os rios do Estado que receberiam efluentes. Ele diz ainda que o próximo passo seria avançar na qualidade de tratamento, de acordo com os recursos disponíveis.

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