Fazer com que todos os condomínios verticais e horizontais promovam a correta separação do lixo - entre reciclável, compostável e rejeito - , aliando educação ambiental, renda para o condomínio e um produto de melhor qualidade para a reciclagem. Este é o objetivo do projeto ''Condomínio Verde, Lixo Zero'', criado pela organização não governamental Fundação Verde (Funverde).
A iniciativa foi implantada em alguns condomínios de Maringá em 2009. A meta é aplicar o projeto em grande escala. O presidente da entidade, Cláudio José Jorge, explica que cada pessoa gera, em média, um quilo de lixo por dia. Setenta e cinco por cento do lixo produzido são recicláveis. Os outros 25% dividem-se entre compostável e rejeito. Caso haja a compostagem, restará somente entre 5% a 10% de rejeito. Isso, segundo ele, aumentaria a vida útil dos aterros em até 90%.
''Some-se a isso a economia de recursos naturais, pois se aumentarmos o índice de reciclagem dos atuais 1% no País para mais de 50%, diminuirá a necessidade de extrair tanta matéria-prima do planeta, poupando os recursos naturais para as gerações que ainda nem pisaram neste planeta, os seres do amanhã'', destacou.
Vocês querem estender a iniciativa da separação correta do lixo em condomínios para todo o Brasil. Como pretendem fazer isso?
A partir do interesse demonstrado pelos condôminos ou síndicos de qualquer lugar do País. É só entrar em contato conosco que iremos instruí-los como implantar este projeto em seus condomínios. O mesmo pode ser feito pelas secretarias de meio ambiente dos municípios, se acaso houver interesse municipal.
Para onde vai o lixo reciclado por meio do programa?
O material reciclável vai para cooperativas de catadores de material reciclável ou os condomínios podem comercializar este material com empresas especializadas em compra de material reciclável, gerando renda para o mesmo. O material compostável e o rejeito, por falta de composteiras nos municípios, vai para os aterros sanitários, mas agora, por conta da nova lei de resíduos sólidos, em pouco tempo o material compostável irá se tranformar em adubo em composteiras municipais, restando apenas de 5% a 10% do rejeito, este sim, destinado aos aterros sanitários.
Quanto ao óleo, ele pode ser comercializado porque tem valor de mercado e é matéria-prima para alguns produtos, tais como sabão, desmoldante, ração animal, massa de vidraceiro e até biodiesel. O condomínio também pode optar por destinar tanto o reciclável quanto o óleo para gerar renda para cooperativas de catadores de material reciclável.
O que falta para as pessoas terem mais consciência da importância da reciclagem?
Elas não entendem o conceito de causa e efeito. Isto é, se não reciclarem, estarão enviando matéria-prima que pode voltar ao ciclo de produção para o lixo, aumentará a exploração dos recursos e daqui a pouco estaremos todos soterrados pelo lixo que geramos. As pessoas são preguiçosas e pensam que ao colocar o lixo num saco fora de sua casa, ele irá desaparecer magicamente. Elas não entendem que vivemos todos num sistema fechado, em que os recursos naturais são finitos, o que tem no planeta pode ser explorado, mas se for explorado à exaustão sem retornar os materiais para reciclagem, fatalmente, esses recursos naturais irão se exaurir.
Vocês dizem que todas as classes sociais são responsáveis pelos resíduos que geram. Como os menos favorecidos, que não têm acesso à coleta de lixo, podem ajudar? Esse projeto vai atender aos mais pobres?
Todos geramos resíduos, todas as classes sociais. Se não há coleta de lixo, o material orgânico compostável pode ser enterrado nos quintais para se transformar em adubo e o reciclável pode ser comercializado, junto com o óleo usado, para gerar renda para os mais pobres. O que não pode é dizer que o pobre tem menos responsabilidade que o menos pobre, pois todos somos responsáveis pelo lixo que geramos.
Serviço:
Interressados podem entrar em contato com a ONG pelo e-mail [email protected]

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