No último dia de trabalho antes do recesso, na segunda-feira, nenhum dos 81 senadores foi ao plenário. Isso mesmo, caro leitor. Nenhum! O regimento interno determina quórum mínimo de quatro senadores para que uma sessão seja aberta. Como ninguém apareceu, os servidores do Senado declararam a não realização da sessão.
Infelizmente, trata-se de um episódio emblemático, um retrato de como muitos políticos encaram seu papel. É um exemplo negativo daqueles que deveriam respeitar as normas. Um desrespeito para com aqueles a quem os senadores deveriam representar. Pessoas que trabalham arduamente para manter funcionando a máquina pública.
E o retorno ao trabalho, em agosto, será marcado pela pauta trancada por medidas provisórias. Aliás, esse é outro ponto que anda travando o trabalho do Legislativo.
Na Câmara Federal, por exemplo, cujos deputados entraram em recesso na semana passada, o governo Dilma Rousseff conseguiu pela primeira vez na história do País trancar a pauta do plenário todos os dias do primeiro semestre. Ou seja, nenhuma pauta de autoria dos congressistas chegou a ser conduzida.
O governo utiliza as MPs e os projetos de lei enviados em regime de urgência, mecanismos previstos na Constituição, para impedir a votação de matérias legislativas que o desagradam. Só que utiliza esses mecanismos para ''furar'' o bloqueio quando bem entende, quando há interesse próprio.
E o pior: a situação deve continuar na mesma quando o recesso terminar. Estão nas mãos do Palácio do Planalto o controle da pauta, o ritmo das votações e as prioridades. Uma verdadeira alteração de funções. Um risco à democracia.
É necessário devolver para os legisladores a capacidade de debater leis, sem intervenção tão direta da União. Só que também é imperativo que os congressistas tenham mais respeito pelas suas próprias funções. E isso começa com medidas simples, como o comparecimento ao trabalho, ainda que seja no último dia antes das férias.

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