Receita para viver mais e melhor
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sábado, 19 de abril de 2003
Phoenix Finardi<BR>Reportagem Local 
''Quem ama não adoece'', brinca o geriatra José Roberto de Almeida. Apesar de reconhecer o exagero, o médico garante que a frase tem um fundo de verdade. É que o fator emocional, segundo ele, afeta bastante o sistema imunológico do ser humano. Prova disso já foi constatada por cardiologistas um paciente depressivo que sofre um infarto tem quatro vezes mais chance de morrer do que um outro que não esteja deprimido.
Até mesmo para profissionais que trabalham com dados concretos, como os médicos, o amor pode ser mais do que simplesmente uma emoção. ''O amor melhora a qualidade de vida das pessoas, em todos os sentidos, inclusive fisicamente. Quando a gente gosta de alguém, a gente também se gosta mais e isso faz com que a pessoa se cuide mais'', diz José Roberto. Para quem já passou dos 60 anos e está começando a conviver com a decadência física natural, essa dose de auto-estima significa muito e se reflete na vontade de viver mais e viver melhor.
A capacidade de amar, se apaixonar e manter um bom relacionamento sexual não acaba nem diminui com a idade. ''Ninguém fica impotente pelo envelhecimento normal'', garante o geriatra. Ele admite que existem patologias que provocam problemas sexuais mas afirma que a maior causa da impotência na terceira idade ainda é psicológica: ''O homem acha que depois de uma certa idade não vai mais ter um desempenho sexual normal e isso é um mito'', diz ele, contando que atende vários casais com mais de 60 anos que namoram e mantém atividade sexual normal.
As mulheres também enfrentam seus mitos: ''Existem fatores na menopausa, como a secura vaginal, que interferem no sexo. Mas tudo isso pode ser tratado e resolvido'', garante José Roberto.
Se as barreiras físicas podem ser contornadas, há outros obstáculos mais difíceis de superar, como o preconceito e a interferência da família. ''Tenho um paciente com mais de 80 anos que está apaixonado e a família dele se acha no direito de não permitir que ele viva com a namorada. Cada vez que eles são separados, a diabetes dele se agrava'', relata o médico. Por isso a geriatria vem trabalhando de forma a mostrar para as famílias a importância de manter a autonomia e a independência das pessoas na terceira idade.
''Eu posso ser dependente de uma cadeira de rodas mas ter autonomia para ir ao cinema. Não é porque o indivíduo tem certas limitações que não pode ser dono do próprio nariz'', comenta José Roberto. Para ele, a família só deve interferir se a pessoa estiver com a saúde mental comprometida.
A paixão mexe com a química do ser humano e vira o mundo de ''pernas para o ar''. No entanto, segundo José Roberto, se apaixonar depois dos 60 anos tem suas vantagens: ''O idoso entra mais despreocupado num novo relacionamento e mais experiente também. Ele pode viver paixões intensas porque já construiu o que tinha para construir, tem muito pouco a perder e está no fim do caminho'', analisa o médico.
Num país como o Brasil, onde a população idosa cresce mais do que qualquer outra, repensar a terceira idade é uma urgência. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que de 1950 a 2025 a população com mais de 60 anos deve aumentar 16 vezes. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualquer população com mais de 8% de habitantes acima de 60 anos é considerada ''velha''. Londrina tem 14% de moradores na faixa da terceira idade.


