Curitiba - A delegacia da Receita Federal, em Paranaguá, vai restringir o livre acesso de pessoas e mercadorias no cais do Porto de Paranaguá. Uma das medidas é impedir toda e qualquer entrada de mercadoria entre 19 horas e 7 horas. Também vai impedir a entrada de pessoas e veículos não identificados previamente pela Receita Federal, mesmo que estejam a serviço das empresas que operam na área portuária. A restrição vai iniciar a partir do próximo dia 1º de maio.
A medida caiu como uma bomba entre empresas e sindicatos que operam na área portuária. Os representantes dos sindicatos dos depachantes aduaneiros, dos operadores portuários e das agências marítimas se reuniram ontem à tarde para discutirem como vão atender as novas exigências da Receita Federal. ‘‘A primeira impressão é que a Receita está na contramão da eficiência’’, disse o presidente do Sindicato dos Operadores Portuários de Paranaguá, Edson Cezar Aguiar.
Os sindicatos vão tentar demover o delegado da Receita Federal, Marco Antonio Franco, através do diálogo. Vão explicar os prejuízos que a medida vai trazer às empresas e que serão repassadas ao consumidor, num segundo momento. ‘‘Se o diálogo não for possível, teremos que recorrer à Justiça’’, disse Aguiar.
Segundo o sindicalista, as empresas que atuam na área portuária vêm se esforçando para ganhar eficiência com a expansão das atividades no Porto de Paranaguá. ‘‘Um porto moderno e dinâmico tem que ficar em atividade durante 24 horas por dia’’, disse Aguiar.
A preocupação é com a queda no faturamento e perda de contratos, já que a eficiência de um porto se mede pelo período que um navio fica atracado. Com a medida da Receita Federal, fica impossível atender o desembarque de dois a três navios ao mesmo tempo, como ocorre atualmente.
Franco disse que a restrição está prevista em legislação que já vem sendo executada por outros portos brasileiros. Segundo Franco, o acesso será permitido a pessoas e veículos devidamente cadastrados e identificados na Receita Federal, medida que vai trazer mais segurança para os importadores e exportadores de mercadorias que trabalham regularmente.
‘‘E também segurança fiscal para as mercadorias’’, acrescentou. Conforme Franco, a medida vai ajudar a combater o contrabando porque vai permitir a identificação de quem está manuseando grandes volumes de mercadorias e contêineres. ‘‘Como está, tem muita gente movimentando mercadorias e contêineres e a gente nem sabe a qual empresa pertencem’’, destacou.

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