RECEITA DE SUCESSO DE IVATUBA - Escolas locais são as melhores
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quarta-feira, 02 de maio de 2007
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Se você pensa que grandes cidades como Curitiba, Londrina e Maringá, possuem o melhor ensino fundamental do Paraná, está redondamente enganado. O sistema de ensino público de Ivatuba (30 km a oeste de Maringá) - município com aproximadamente 3 mil habitantes -, obteve rendimento 30% acima das grandes cidades, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Ministério da Educação. Em entrevista à FOLHA, a secretária municipal de Educação, Maria Aparecida Trevisan, no cargo há 14 anos, explica que o investimento no professor e na qualidade das aulas é indispensável para melhorar o ensino.
Como Ivatuba chegou a esse resultado?
Atribuo a um conjunto de fatores: investimento, continuidade do trabalho, formação constante do professor, diagnóstico dos alunos que chegam na escola para identificar o que precisa ser trabalhado para aprender, apoio pedagógico etc.
Como é a preparação do professor?
O professor precisa tanto de formação quanto de apoio pedagógico para desenvolver boas aulas. Desde 1993 a gente tem um trabalho mensal de formação, sem contar as semanas pedagógicas, do início e do meio do ano. Além disso, investimos em cursos de aperfeiçoamento para o professor adquirir mais conhecimentos. Nossa meta é descobrir como passar as informações para os alunos em sala de aula neste contexto de inovação tecnológica e de formação de cidadania que envolve a sociedade.
Bons salários garantem bons professores?
Não. O salário ajuda, mas a questão é a assistência que tem que ser dada ao professor pela equipe pedagógica, direção e secretaria de educação. As pessoas envolvidas no processo tem que falar a mesma língua, isso ajuda a desenvolver mais o pensamento e a participação das crianças.
E a participação dos pais?
Só conseguimos bons resultados quando a matéria-prima é boa. Nossos pais são exemplares. Dedicam-se também à educação das crianças e não as deixam faltar, a não ser por doença, e incentivam a participação nas aulas e projetos.
Disciplinas como filosofia e artes ajudam na formação?
Sim, são áreas muito importantes. Nós temos um trabalho de arte e música muito bem planejado, e temos a filosofia desde o Pré-II, com uma professora que é preparada pelos melhores especialistas do Estado. A filosofia é uma matéria que tem contribuído muito para que os alunos aprendam a pensar e a resolver problemas. Tudo isso com muita leitura, interpretação de texto e conhecimentos de história.
Há violência nas escolas de Ivatuba?
Quando as crianças apresentam distúrbio de comportamento, temos uma psicóloga dentro da escola para dar atendimento. Mas o que a escola mais precisa é de aulas planejadas e que o foco do planejamento seja a criança. Uma aula mobilizada, que ajude a criança a participar, discutir, ter voz, que a ouçam falar, é a melhor forma de apresentar os conteúdos.
A educação é a melhor arma contra a violência?
É. A melhor arma é educar para que essa criança tenha uma base sólida, continue estudando, e que consiga chegar, senão a uma faculdade pública, a uma particular que possa pagar, para que se sinta uma pessoa respeitada, digna, de valor. O que nós precisamos é melhorar as séries iniciais e fortalecer o conteúdo nos alunos. Em Ivatuba, estamos trabalhando e vamos melhorar muito mais, se Deus quiser.
Ensino integral é a solução?
Aqui o ensino não é integral, por falta de estrutura, mas temos dois dias por semana em que as crianças voltam para os projetos educativos, como expressão corporal, informática e jogos matemáticos. No meu ponto de vista, o mais importante é aproveitar muito bem as quatro horas diárias de aula.


