Os protestos que tomaram conta de praticamente todo o País, claramente, demonstram uma insatisfação da população contra o atual modelo político e econômico. Iniciado em São Paulo como forma de manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público (ônibus, trens e metrôs), a violência policial contra os manifestantes acabou por estimular a participação de pessoas sem qualquer ligação com partidos políticos e por estender o movimento a outras cidades.
Agora, o protesto não é contra apenas o reajuste da tarifa, mas cobra também melhorias na qualidade do serviço público (inclusive saúde e educação), o fim da violência policial, a não aprovação da PEC 37 (que pretende impedir que o Ministério Público continue a promover investigações) que será votada no Congresso Nacional e os gastos para a realização das copas das Confederações e do Mundo de futebol.
Os atos ecoaram mundo afora por meio de brasileiros que vivem no exterior e ganharam destaque na imprensa internacional. Também chamaram a atenção das Organizações das Nações Unidas, que pediram a abertura de "investigações independentes e imparciais" para determinar os responsáveis pelo uso exagerado da força policial durante as manifestações, além de apelar para que o governo atue com cautela ao lidar com as demandas da população.
Importante destacar que os manifestantes rejeitam qualquer ligação com partidos políticos o que, de certa forma, garante uma legitimidade ainda maior ao movimento e confirma o descrédito com a atual forma de se fazer política.
Essa manifestação é importante porque ressalta a diferença entre os atos registrados na história do País, como o das "Diretas Já" e o dos caras-pintadas. Além de não ter uma liderança formalmente estabelecida como nos anteriores, não é uma manifestação "contra algo", mas em busca de direitos. É uma maneira legítima de tentar dar um basta à atual situação: altas tarifas públicas, serviços oferecidos à população de péssima qualidade, impostos exorbitantes e gastos estratosféricos. O que deve-se esperar para avaliar é se a energia dispendida nos protestos resultará em mudanças concretas. Força para articulações os manifestantes provaram que têm, resta saber se os políticos entenderão o recado das ruas e se estão dispostos a mudar.

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